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Itamar lança Aécio para a Presidência

Folhapress
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Belo Horizonte - Em sua primeira entrevista coletiva depois de deixar a Embaixada do Brasil em Roma e voltar ao País, o ex-presidente Itamar Franco criticou ontem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e lançou o governador Aécio Neves como candidato suprapartidário das “forças de Minas” à Presidência da República em 2006. Itamar é do PMDB e Aécio, do PSDB.

Segundo Itamar, Lula erra ao manter no cargo pessoas envolvidas em denúncias de corrupção, como o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles: “Quando você deixa quistos no governo, eles acabam dando metástase”. Depois, Itamar especificou por que lançou Aécio: “Minas tem que acordar, porque os paulistas estão se mexendo de forma muito audaciosa. Eles estão ganhando velocidade e, depois, fica difícil acompanhar”, disse, em referência à disputa entre o governador Geraldo Alckmin e o prefeito José Serra, tucanos paulistas, para concorrer em 2006.

“Minas tem um nome, que é o do governador. Sabemos o que significa ocupar o Palácio da Liberdade (sede do governo mineiro), e Aécio é um nome que tem probidade, é um defensor dos direitos humanos e tem todas as qualificações para ser o futuro presidente da República.”

Indagado insistentemente pelos jornalistas mineiros sobre a própria candidatura, o ex-presidente contou que foi sondado anteontem para ser candidato num telefonema do presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), mas declinou do convite.

Ex-governador, ex-senador Itamar foi vice de Fernando Collor (90 a 92) e ocupou a presidência de outubro de 92 a 94. Ele deu uma dica sobre o cargo que pretende disputar em 2006: “Gostei muito de ser senador...”

Sobre a crise política, Itamar foi claro: “Como manter um presidente do Banco Central (Henrique Meirelles) processado pelo Supremo Tribunal Federal? Eu agi diferente”. Lembrou que no seu governo ele afastou três ministros que eram seus amigos pessoais por questões muito menores.

Henrique Hargreaves (Casa Civil) foi um deles e depois que foi inocentado voltou ao cargo. Ele também contou que demitiu Eliseu Resende (Fazenda) às 2h30 da madrugada, justificando: “Quando o Senado começa a questionar uma conta, você perde toda a autoridade, não vai mais ter sossego”.

Diante de uma pergunta sobre se Lula sabia ou não do que acontecia, o ex-presidente disse: “Mesmo que soubesse, eu não o incriminaria, porque teria de começar um processo que não convém ao País. No meu governo, eu sabia. Das coisas mais graves, eu sabia”.

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