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Vestibular estressa bolso de candidatos

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Aliar o útil ao agradável. Essa é a fórmula que os jovens encontraram para ajudar os pais a bancar os gastos com os vestibulares de fim-de-ano. De olho nas amargas despesas que podem proporcionar um futuro de sucesso, o jeito é economizar nas saídas dos finais de semana para reforçar o bolso. Na média, os candidatos aos vestibulares calculam que deverão gastar de R$ 1.500,00 a R$ 2.000,00 com despesas de inscrições, viagens, hospedagens e alimentação.

Os valores representam a participação em pelo menos oito processos seletivos em universidades de São Paulo e de Estados vizinhos, como Paraná, Minas Gerais e Mato Grosso. Como o ano de vestibular já é de sacrifício, pois, na média, os jovens se debruçam de dez a 12 horas sobre os livros, a economia com as baladas e festas de final de semana ocorre quase que espontaneamente.

A opinião unânime, no entanto, é de que o esforço concentrado e o investimento valem a pena.

O estudante Marcelo Pacheco Gonçalves, 20 anos, programa-se para prestar oito vestibulares. Sua meta é a medicina da Universidade de São Paulo (USP) e outras instituições públicas que oferecem o curso. “Embora os valores sejam significantes, as despesas compensam, principalmente se o resultado for positivo”, diz.

A opinião é reforçada pelo seu colega de sala de aula Felipe Lopes de Souza, 21 anos, que também pretende ser médico. “No total, vou prestar em seis universidades, dentre as quais a Federal do Paraná”, conta.

Mas sua companheira de estudos, Carla Jiácomo Machado, 18 anos, vai rodar um pouco mais para tentar a sorte também no curso de medicina. Além de São Paulo e Paraná, ela vai prestar vestibulares do curso de medicina nas universidades federais de Minas Gerais e Rio Grande do Sul. De um extremo a outro, são mais de 2.000 quilômetros de distância, o que significa maior despesa com o item transporte.

“Ainda não sei o quanto vou gastar com transporte. Mas com certeza, será algo acima de R$ 1.000,00”, calcula. Sua amiga Natália Assis Medeiros, 18 anos, também busca o curso de medicina e diz que está preparada para os custos extras. “Devo prestar de sete a oito processos seletivos. Embora seja caro, é um investimento que garantirá o meu futuro”, argumenta.

Um pouco mais tranqüilo está o estudante Henrique Issamu Miazaki, 17 anos, que prepara-se para o vestibular de ciências da computação. “Vou me inscrever na Unesp de Bauru e na USP de São Carlos”, conta, complementando que gastará bem menos com inscrições, hospedagens, viagens e alimentação se comparado com os demais colegas.

Para amenizar o impacto das despesas, o jeito é encontrar alternativas que possam baratear os custos. Uma delas é se juntar às excursões organizadas pelos colégios para vários destinos.

Leque de opções

Reconhecida como pólo universitário, as universidades e faculdades de Bauru agregam maior número de cursos nas áreas de ciências exatas e humanas, com algumas opções em biológicas. Como o tão sonhado curso de medicina - um dos mais procurados pelos estudantes - ainda não se consolidou, a saída é buscar a região.

“Bauru ainda não conseguiu polarizar, em suas universidades, todas as opções de profissões”, reclama o estudante Jeferson de Souza Tavares Nunes, 20 anos, que buscará uma vaga no curso de medicina nas federais de Minas Gerais e Paraná e na Universidade Estadual Paulista (Unesp). A avaliação ganha o endosso de Thaline Maira Pachelli da Cruz, 18 anos, que também tentará vaga no mesmo curso na USP e na Universidade Estadual de Londrina (UEL).

“No meu caso específico, terei a oportunidade de morar na casa de parentes, se o resultado do vestibular for positivo”, conta. Já Rafael Manoel, que prestará biologia na Unesp, na UFSCar e na UEL, defende que o comando das universidades e faculdades públicas de Bauru se esforcem mais para aumentar o número de cursos na área de saúde. “O que temos é pouco e a maioria é particular”, reclama.

Para concretizar o sonho de ingressar numa boa faculdade pública de medicina, o jovem Fabrício Leonardi, 18 anos, não se intimida com distâncias. “Já que em Bauru não tem o curso, vou tentar nas federais de Goiás e Mato Grosso e na Unesp. Mas minha preferência mesmo é por Cuiabá. Gosto daquela região”, justifica.

Sua colega de sala de aula Thaís Cristina Albano, 18 anos, também quer medicina. Mas sua meta é ficar no Estado de São Paulo. “Não quero ir longe. Meus pais preferem que eu fique por perto. Vou tentar a Unesp, USP, UFSCar, Unifesp e Unicamp”, enumera.

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