Preocupado com a sensação de insegurança que toma conta das pessoas que sofreram algum tipo de violência, o capitão Nélson Garcia Filho, comandante da 4.ª Companhia da Polícia Militar (PM), está desenvolvendo uma iniciativa que pretende justamente restabelecer a confiança perdida.
A idéia, explica o capitão Garcia, surgiu após uma reunião que promoveu com seguranças que trabalham em condomínios para uma palestra sobre os procedimentos ideais para o desempenho desta função.
Num segundo momento, o policial se reuniu com vítimas de furtos e roubos ocorridos em sua área (bases Leste e Sudeste), com objetivo de passar às pessoas uma lista de procedimentos ou “dicas” de segurança capazes de prevenir novas ocorrências. “As pessoas sofrem um trauma (após um ato de violência) e queremos restabelecer a sensação de segurança”, explica.
Na primeira reunião, Garcia reuniu as vítimas de assaltos ocorridos nos meses de maio, junho e julho. Segundo ele, a receptividade foi tão boa que um novo encontro já está agendado, desta vez com pessoas que sofreram violência entre os meses de janeiro e março.
O policial admite que quando acontece um roubo, ocasião em que há contato da vítima com o autor do crime, os traumas são mais profundos, duram meses e podem gerar o desejo de mudança de residência. “Queremos mostrar a essas pessoas que a polícia é forte e que a cidade é segura”, diz.
Segundo ele, as pessoas geralmente gostam de morar nos locais que escolheram para viver e não é justo que precisem sair após uma situação traumática. Nesses casos, o policial explica na palestra que a PM coloca esses endereços num roteiro de ronda chamado Cartão de Prioridade de Patrulhamento (CPP), o que, segundo ele, aumenta a sensação de segurança. “Se ele resolver se mudar, que seja por outro motivo que não a insegurança do bairro”, afirma.
O capitão Jorge Duarte Miguel, comandante da 1.ª Cia., acredita que um outro procedimento da PM - o Gerenciamento de Ocorrência - também pode contribuir para o restabelecimento da sensação de segurança de pessoas que sofreram alguma violência.
Segundo ele, o Gerenciamento de Ocorrência determina que um oficial da área, geralmente um sargento, faça diversas visitas à residência da pessoa que foi vítima de assalto ou roubo. “Na visita ele (policial) vistoria o local e pergunta se está tudo bem. A vítima gosta disso porque se sente mais segura”, avalia.
O capitão explica que o procedimento também funciona como um instrumento para que o comando da PM fiscalize a qualidade do serviço prestado pela corporação durante as ocorrências. Além disso, Miguel acredita que as visitas aproximam a PM da comunidade e podem contribuir para que pessoas desistam da idéia de se mudar após um assalto. “Queremos mostrar à vítima de uma violência que ela não está sozinha”, conclui.
• Serviço
A segunda palestra para vítimas de violência das regiões Leste e Sudeste será realizada no próximo dia 16, sexta-feira, a partir das 15h, na sede da 4.ª Cia. da Polícia Militar, localizada na rua Araújo Leite, quadra 9. Estão convidadas as pessoas que sofreram assaltos ou roubos nos meses de janeiro, fevereiro e março. Mais informações pelo telefone (14) 3212-4070.