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Caminhamos para uma grande e saborosa ‘pizza’?


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A crise surgida com as denúncias do “mensalão” comprometem fortemente o governo, os partidos e a classe política em geral. O país está estagnado à espera do resultado das investigações e da punição dos culpados. Enquanto isso leis e projetos ficam engavetados à espera de uma abertura na pauta para serem votados. As grandes reformas, como a política e a eleitoral, estão paradas pois, como alegam os parlamentares, os trabalhos das CPIs praticamente inviabilizam sua aprovação.

A situação, ao que tudo indica, caminha celeremente para uma grande e saborosa “pizza”. Quando parecia que as investigações caminhavam bem com a CPMI dos Correios, as lideranças governamentais acabaram forçando e criando mais duas, a do Mensalão e a dos Bingos, que rumam pelo mesmo curso, ou seja, apura-se muito mas não se vai adiante. Passada a fase dos depoimentos dos principais protagonistas dos escândalos envolvendo o PT e os partidos aliados, agora as CPIs passam a convocar meros figurantes, que muito pouco deverão contribuir para identificar e punir os autores dos desvios do dinheiro. Os membros das Comissões Parlamentares de Inquérito agem com extrema lentidão no exame da imensa quantidade de documentos recebidos ou apreendidos. Até agora pouco se fez para esclarecer a origem da grande quantidade de dinheiro que o PT espalhou entre seus aliados e a identificação das fontes dos recursos é imprescindível para concluir as investigações.

Agora a CPI do Mensalão excedeu a toda e qualquer expectativa e acabou aprovando a convocação de 72 pessoas que aparecem na lista de sacadores das contas do publicitário Marcos Valério. A se confirmar o ritmo de convocar duas pessoas por semana, a comissão terá 8 meses só para ouvir seus depoimentos. Para quê? Para ouvir o que todos conhecem. Sem cruzar as informações e quebrar os sigilos, o que parece que os membros das CPIs não estão interessados, não chegaremos a lugar nenhum, ou melhor, a grande e saborosa “pizza” estará servida.

A população atenta e atônita não se arrisca a prever um desfecho para a grave crise política. Assiste a tudo ao vivo pela televisão como se fosse um grande filme de ficção, mas na verdade convive com um verdadeiro tiroteio entre os envolvidos com acusações as mais estapafúrdias possíveis sem se chegar ao cerne da questão, ou seja, a origem da dinheirama. Por outro lado, não é coincidência que, nas últimas semanas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha acelerado as visitas a sindicatos e associações, embora um pouco tarde, porque cresce entre os movimentos sociais mais populares o descontentamento com o governo do PT. Não devemos esquecer que o ex-presidente Collor também tentou convencer a todos de que estava cercado pelos “bandidos”. Não deu certo. A sociedade amadureceu e sabe diferenciar bem essas coisas; prova disso são as recentes pesquisas mostrando que cai cada vez mais a popularidade do presidente e com ele o governo do PT.

Benjamin Ribeiro da Silva é diretor-tesoureiro do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo e vice-presidente da Federação Nacional das Escolas Particulares

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