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Estudo prova: brincar ajuda recuperação

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

Pesquisa realizada pela Secretaria de Estado da Saúde confirma com dados científicos o que a prática já indica há vários anos: brincar favorece a recuperação das crianças internadas. O estudo baseia-se na quantidade de cortisol (hormônio do estresse) presente no sangue de crianças que brincavam e das que não brincavam durante o tratamento. Sabe-se que o estresse interfere negativamente no desempenho do sistema imunológico.

A pesquisa foi realizada no primeiro semestre deste ano no Hospital Infantil Cândido Fontoura, em São Paulo. O nível de cortisol no sangue das crianças internadas foi verificado em diferentes situações. Para cada caso, um grupo de crianças brincava e o outro não.

Uma das avaliações foi feita no momento da coleta de sangue, no intuito de avaliar o estresse dos pacientes durante a picada da agulha. A amostra contou com 58 crianças (4 a 14 anos), sendo que 34 foram expostas aos brinquedos durante o procedimento, enquanto as demais levaram a picada em ambiente hospitalar comum.

Resultados preliminares divulgados nesta semana pela Secretaria da Saúde mostraram que o nível médio de cortisol sérico no grupo de crianças que teve acesso aos brinquedos foi de 11,20 microgramas por decilitro de sangue (ug/dl), enquanto a média do grupo que não brincou foi de 13,72 ug/dl, indicando maior nervosismo entre as crianças que não brincavam no momento da coleta.

Em outro grupo de 142 crianças, 79 tiveram acesso à brinquedoteca. Dessas, 35% apresentavam algum distúrbio respiratório do sono, como apnéia. O grupo com distúrbios respiratórios que brincou teve nível médio de cortisol sérico de 9,81 ug/dl, enquanto a média do grupo quer não brincou foi de 12,37 ug/dl.

Para a terapeuta ocupacional Clarisse Potasz, coordenadora da pesquisa, estudo confirma que a instalação de brinquedotecas nos hospitais é uma boa estratégia de enfrentamento do estresse agudo em crianças.

De acordo com a coordenadora médica da Pediatria no Hospital Estadual (HE) de Bauru, Maria Aparecida Ruggiero, a motivação acelera a melhora dos pacientes. “A gente percebe diminuição no tempo de internação. Crianças que teriam que ficar dez dias no hospital vão embora com sete, oito dias. O estresse diminui a imunidade”, salienta.

A médica ressalta que a internação tira a criança de uma rotina prazerosa para um ambiente de sofrimento e medo. “Com os brinquedos, ela lida melhor com isso. Normalmente, ela projeta na boneca a doença que enfrenta e o tratamento que está fazendo. Quando você vai dar uma injeção, parece que dói menos”, observa.

Coordenadora da brinquedoteca no Hospital Manoel de Abreu há oito anos, a presidente da Associação Bauruense de Combate ao Câncer (ABCC), Lyenne Berriel Cardoso, comenta que a importância do bem-estar psicológico na evolução do tratamento é reconhecida há vários anos. “O fato de poder brincar durante a quimioterapia minimiza a tensão dos enjôos, de ter que pegar veia. A criança vem mais tranqüila”, garante.

Ela conta que antes de iniciar o projeto, as crianças chegavam aos berros ao hospital para as sessões de quimioterapia. “Hoje, todos eles ganham um brinquedo antes de ir embora, que eles mesmo escolhem. É pouco pelo que a criança passa, mas é uma forma de amenizar a situação com atividades agradáveis. E a gente percebe melhoria”, afirma.

Segundo Ruggiero e Cardoso, a descontração das crianças faz bem, inclusive, para os adultos que as acompanham. “Ver um filho sorrindo ajuda muito, tranqüiliza”, afirma a pediatra.

A dona de casa Andréia Aparecida de Souza concorda. O filho Iori, 4 anos, está internado no HE há pouco mais de um mês tratando uma broncopneumonia. “Ele fica mais triste, mais desanimado no quarto. É ruim (para a criança) ficar num lugar fechado sem poder brincar. Mas eu não posso sair de perto”, observa.

“(A brinquedoteca) aproxima mais do dia-a-dia. O hospital não é um lugar normal e poder brincar é legal para eles”, opina a dona de casa Débora Raquel Balsalobre, cujo filho Vítor, 4 anos, faria uma cirurgia essa semana.

Além da brinquedoteca, crianças internadas no HE recebem diariamente a visita de voluntários do Projeto Alegria. Um alívio, na opinião da operadora de telemarketing Nilcéia Aparecida Casavechia, que acompanha o filho Lucas, 1 ano, internado para tratar uma pneumonia.

“Ele se anima. Acho que ajuda muito, porque sai um pouco desse clima de hospital. Ele tem tanto medo, que só de ver alguém vestido de branco já chora. E quando vem o pessoal com roupas coloridas, ele relaxa”, elogia.

De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, a pesquisa faz parte do projeto de humanização hospitalar do governo paulista. Segundo assessoria de imprensa, todos os hospitais estaduais que tratam com saúde infantil têm brinquedotecas instaladas.

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