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Família procura filha há cinco anos

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 4 min

Os familiares de Bruna Cristina da Silva Moço, desaparecida há quase cinco anos, alimentam a esperança de que a menina irá aparecer. O drama do sumiço da garota, que na época tinha 7 anos - hoje teria 12 -, começou no dia 19 de setembro de 2000, no município de Birigüi, quando ela saiu de casa para ir ao mercado e não voltou. Desde então, a família, que se mudou para Bauru, continua as buscas.

A mãe da menina, Leandra Leite da Silva, 31 anos, reacendeu a esperança de rever a filha. “Sentimento de mãe não se engana. Sinto ela mais próxima de mim do que longe. Uma hora ou outra a pessoa, que não seja a mesma que a levou, vai trazê-la para mim”, acredita. Recentemente, a Polícia Civil procurou a família para fazer os primeiros contatos visando colher material genético para incluir o caso no programa “Caminho de Volta”.

Os familiares não admitem a possibilidade de Bruna estar morta. “Estou em pé até hoje de tanto que pedi a Deus. A esperança é grande de encontrar. É esperança, dor e saudade. Se pensar em morrer, não vai adiantar. Preciso viver para encontrar minha filha porque sempre há uma luz no fim do túnel”, ressalta ela.

Desde o desaparecimento, os familiares buscam incessantemente pela menina. Leandra conta que procurou pela filha nas cidades próximas a Birigüi. Esteve em São José do Rio Preto e São Paulo, onde passou a integrar a Associação Brasileira de Busca e Defesa a Crianças Desaparecidas (ABCD), popularizada como Mães da Sé. Também conseguiu, na época do desaparecimento, grande repercussão do caso na imprensa.

Apesar da fé, a mãe confessa que alguns dias acorda abalada pela ausência da filha e não tem vontade de sair de casa. “Acordo com aquela saudade e pego as coisas dela para ver. Não desisto porque meu sonho é encontrá-la”, diz. Mesmo a falta de recursos financeiros para a busca não diminuem a certeza do reencontro. “Às vezes andando a pé e mesmo sem dinheiro eu saio para procurá-la. E também estou fazendo campanha na igreja”, comenta.

O drama da perda de Bruna fortaleceu a relação entre o casal Leandra e José Carlos Moço Filho, 32 anos, que hoje reside no Parque Roosevelt, em Bauru. Entretanto, eles passaram por momentos de grande instabilidade emocional após o desaparecimento da única filha até então.

A mãe conta que ficou muito doente, deprimida por não entender o que tinha acontecido. “Por Deus estamos juntos.” O desespero pelo sumiço de Bruna quase se transformou em tragédia.

O casal está junto há 13 anos e se prepara para receber o quinto filho. Silva está grávida de seis meses. Depois de Bruna, nasceram Carla, de 8 anos, Josef, de 7 anos, e Tamara, de 2 anos e meio.

Ao olhar para as fotos da filha, Leandra avalia que não sabe como seria o encontro com a menina, que hoje não seria mais uma criança. “Tenho certeza que ela não esqueceu. Assim que a gente se ver, tudo vai mudar. Amo muito ela e de cinco anos para cá esse amor aumentou ainda mais. É muito especial para mim. Tenho saudade do cheiro dela, do olhar dela. Ela falava para mim que me amava muito”, comenta a mãe.

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Caminho de Volta

A família de Bruna aposta suas esperanças no projeto “Caminho de Volta”, que visa identificar crianças e adolescentes desaparecidos com uso da tecnologia de comparação do DNA. A iniciativa foi viabilizada através de uma parceria entre a Polícia Civil e a Universidade de São Paulo (USP) e funciona em Bauru desde maio deste ano.

Mas como a menina desapareceu em Birigüi, o trabalho está sendo feito pela Delegacia Seccional de Araçatuba. O delegado-assistente da Seccional, Oscar de Carvalho, está articulando a coleta do sangue dos pais de Bruna para armazenamento dos dados genéticos no banco de DNA estadual.

Ele comenta que se for encontrada alguma criança com as características da menina desaparecida será possível realizar o exame de identificação. O delegado já fez um primeiro contato com os familiares para atualizar os contatos. Agora, pretende coletar o material genético dos familiares de Bruna possivelmente em Bauru.

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