Rio - O Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), órgão ligado ao Ministério do Planejamento, anunciou ontem a revisão da projeção do crescimento da economia de 2,8% para 3,5% neste ano. A alta na previsão é explicada pela demanda externa.
As previsões das exportações foram revistas de 9,4% para 11%, ao mesmo tempo em que as importações tiveram suas previsões reduzidas de 16,16% para 13,3%.
Assim, na composição do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) - o quanto cada segmento contribui para o PIB -, a demanda externa passou a ter um peso de 0,2 ponto percentual, ante a previsão anterior de -0,5 ponto percentual.
Não houve alteração nas projeções para a demanda doméstica, que continua a ter participação de 3,3 pontos percentuais na composição do PIB.
Na semana passada, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou um crescimento de 1,4% da economia no segundo trimestre em relação aos primeiros três meses do ano. No primeiro trimestre, a expansão havia sido de 0,4% sobre o período imediatamente anterior.
Segundo o economista do Ipea Fábio Giambiagi, o segundo trimestre do ano teve um resultado melhor do que o imaginado. “A leitura, bastante positiva, do comportamento geral da economia permite um quadro de recuperação do nível de atividade mais intenso do que o esperado.”
O Ipea também reviu as projeções de investimento, de 4,8% para 5,3% no ano. No resultado do segundo trimestre, houve uma retomada dos investimentos (ou formação bruta de capital fixo), que cresceram 4,5% em relação ao primeiro trimestre do ano.
Do ponto de vista da oferta, a revisão foi significativa na indústria, cuja taxa de crescimento prevista passou de 3,6% para 5,1%. “Não havíamos captado bem o impacto das novas plataformas de petróleo na indústria extrativa mineral”, diz Giambiagi. A projeção desse segmento específico, então, passou de 9% para 14,2% no ano. Pelas categorias de uso da indústria, a principal mudança foi nos bens de consumo duráveis: dos 6,6% previstos para 15,6% agora.
Crise política
Para o terceiro trimestre, o Ipea prevê uma taxa de 0,8% no PIB, com continuidade do crescimento, ainda que menor. “É uma taxa positiva, mas com arrefecimento”, diz Giambiagi. Segundo ele, a interpretação é que este trimestre concentrará os efeitos da crise política, mas “de modo limitado”.
De acordo com o Ipea, esses efeitos já devem estar refletidos no indicador da produção industrial de julho, a ser divulgado amanhã pelo IBGE. Para o instituto, a previsão é que o número seja negativo, entre -0,5% e 1%.
Giambiagi não acredita, porém, que a dinâmica do terceiro trimestre tenha relação com a política monetária restritiva, sobretudo agora que o Banco Central sinaliza uma redução na taxa básica de juros. Segundo as novas projeções do Ipea, a Selic do último trimestre estará em 18,5%, na média.
“Pode haver um corte de 0,25 ou de 0,5 ponto percentual neste mês, mas o que importa é que, de agora em diante, a trajetória é de queda”, projetou Giambiagi. A taxa hoje é de 19,75%.
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Alta maior em 2006
Rio - Um ano mais próspero é o que projeta o Ipea para a economia em 2006. O instituto prevê crescimento de 4%, com possibilidade de que alcance 4,5% caso o quadro político se normalize. Já a inflação prevista é de 4,8%, mas com “viés de baixa”, devendo ficar próxima aos 4,5% da meta estipulada pelo governo, segundo Fábio Giambiagi, do Ipea.
O economista explica que as previsões de crescimento se referem a um cenário sem grandes ameaças à sustentabilidade fiscal, com confiança para a realização de investimentos e para as decisões de consumo.
O Ipea projeta um impacto positivo do aumento dos rendimentos na taxa de crescimento do ano que vem. O dissídio salarial que algumas categorias - como petroleiros, metalúrgicos e bancários - vão ter até o fim do ano e a queda dos índices de inflação devem gerar uma alta do rendimento real, de acordo com Giambiagi.
“A situação é qualitativamente semelhante à que ocorreu no início de 2004”, comparou. O quadro favorável se completa com o crescimento da população ocupada e o aumento do volume de crédito.