O desfile cívico-militar em comemoração ao Dia da Independência realizado ontem no Sambódromo de Bauru trouxe pelo menos duas novidades este ano: crianças indígenas e helicópteros. Segundo estimativa da Polícia Militar, pelo menos 11 mil pessoas acompanharam o evento, lotando arquibancadas e calçadas do local.
Inaugurada em outubro do ano passado, a Base de Radiopatrulha Aérea da Região de Bauru levou para o desfile, pela primeira vez, o helicóptero Águia 1 da Polícia Militar (PM). A aeronave sobrevoou as imediações da avenida em vôo baixo por algumas vezes, atraindo olhares curiosos da platéia.
Na pista, outro helicóptero chamou a atenção dos espectadores. Um aeromodelo com pouco mais de um metro de extensão, reproduzindo a pintura do Águia 1 e controlado por sistema remoto, desfilou por toda a avenida, voando a poucos metros do chão. Até continência (vôo com bico abaixado) ele fez diante do palanque.
De acordo com o capitão Jorge Duarte Miguel, comandante da 1.ª Companhia da PM em Bauru, o aeromodelo já foi muito útil à polícia antes da implantação do policiamento aéreo.
“Quando ocorria um motim, precisávamos subir nos muros para ver o que acontecia do lado de dentro (das penitenciárias). Então, tivemos a idéia de colocar uma câmera no aeromodelo. Ele foi usado várias vezes, com sucessoâ€, comenta.
O aeromodelista Antonio Augusto Cruz aprovou a idéia de participar. “Acho interessante mostrar coisas diferentes no desfile. E a maioria das pessoas não tem acesso ao aeromodelismoâ€, avalia.
Outra novidade no 7 de Setembro foi o desfile de 40 crianças indígenas, alunos da escola na reserva de Araribá. Segundo o capitão Miguel, eles participam do projeto Jovens Construindo a Cidadania (JCC), desenvolvido nas aldeias desde abril deste ano.
“A participação deles num evento cívico mostra o orgulho que eles têm do País, dos símbolos nacionais. O carinho deles pelo homem branco é enorme e eles saíram de suas aldeias de madrugada para estarem aquiâ€, destaca o capitão, que já ganhou até nome indígena: Awa Tenonde Imbarete (homem em linha de frente e de coração bom).
Professor índigena, o terena Alício Lipú (Marâ’o) salienta a importância da integração dos índios com o homem branco. “O índio deveria ser sempre convidado, porque índio é cidadão. Temos que comemorar a independência e ao mesmo tempo divulgar nossa culturaâ€, defende.
Evento prestigiado
A temperatura amena garantiu que a platéia lotasse as arquibancadas do Sambódromo durante praticamente todo o desfile. Em aproximadamente três horas, grupamentos militares, escolas, bandas e integrandes de projetos sociais apresentaram um pouco de suas atividades na avenida.
Para o motorista Djalma Pereira dos Santos, os desfiles cívicos nunca devem acabar. “Acho mais importante que o Carnavalâ€, afirma.
Para as crianças, tudo chama atenção. Luca de Lima, 10 anos, diz que gostou do desfile da polícia. O irmão Bruno, 8 anos, gostou mais do Corpo de Bombeiros. E o primo Felipe, 10 anos, diz que achou as bandas “da horaâ€.
Uma oportunidade também para os ambulantes. Desempregado, o pintor Paulo Rafael Júnior levou sucos, refrigerantes, água e cerveja para vender no Sambódromo. “Venho todos os anos. Dá para tirar uns R$ 100,00â€, comenta. “Ano passado eu ganhei R$ 20,00â€, diz o jovem Danilo Cristiano da Silva, que vendia pipocas no local.
Para o coronel Daniel Barbosa Rodrigueiro, comandante do policiamento na região de Bauru, a participação maciça da população é uma demonstração cívica de cidadania. “Uma oportunidade em que se vê o sentimento do povo brasileiroâ€, arremata.