O Turismo passa atualmente por um momento muito importante para sua própria consolidação enquanto setor gerador de desenvolvimento econômico e social: a institucionalização da superestrutura turística, ou seja, a instituição de políticas públicas para o turismo, nas instâncias local, regional, estadual e nacional.
Até o ano de 2002 não existia, na União, um ministério dedicado única e exclusivamente à área de turismo. Assim como, até junho de 2005, não havia no governo do Estado de São Paulo uma secretaria dedicada plenamente à questão. Esta implementação da organização governamental confere ao setor o reconhecimento do turismo como artífice importante do efeito multiplicador nacional, agregando valores turísticos, gerando emprego e renda, e movimentando divisas.
Em contrapartida, há o trabalho de articulação, envolvimento e participação da sociedade civil organizada, organizações não-governamentais e o setor empresarial de prestação de serviços. Cabe a atuação efetiva dos Conselhos Municipais de Turismo (Comtur) e dos Convention & Visitors Bureaux proporcionar o diálogo entre a iniciativa privada, a sociedade civil organizada e os cidadãos comuns, que se interessam direta e indiretamente por este segmento.
No entanto, regionalmente, as organizações devem articular a distribuição das demandas e o planejamento regionalizado que conciliem as vocações turísticas dos municípios. Fica a cargo da Delegacia Regional de Turismo, da recém-instituída Federação dos Conventions & Visitors Bureaux, das associações da iniciativa pública e/ou privada e dos consórcios municipais, abrir o painel de discussão e integração, rompendo barreiras políticas e socioculturais.
Desta forma, é muito adequado o conceito de cluster em turismo, definido como o conjunto de atrativos, com destacado diferencial turístico, dotado de equipamentos e serviços de qualidade com excelência gerencial e concentrado em espaço geográfico delimitado.
A Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo lança a Jornada do Desenvolvimento do Turismo do Estado, que promove encontros regionais e, para tanto, o mapa turístico do Estado foi redimensionado em oito regiões. As diretrizes para esta jornada de desenvolvimento objetivam, entre outros fatores, efetivar o inventário do turismo em todo Estado, aumentar a capacitação dos agentes públicos e privados, identificar e diagnosticar as potencialidades para o desenvolvimento turístico regional.
Três fases compõem este programa de governo: na primeira fase (setembro), as jornadas de desenvolvimento turístico; a segunda fase (outubro) será dedicada à identificação do produto regional turístico; na terceira fase (novembro), acontecerão os Salões Regionais de Turismo. Apesar do cronograma apertado a que se propõe este programa de governo, esperamos que os interesses sejam simultaneamente plurais e homogêneos e que tenham como único alvo o desenvolvimento integral do turismo, qual seja: socialmente justo, ambientalmente responsável e economicamente eqüitativo. (O autor, Helerson de Almeida Balderramas, é presidente do Comtur Bauru e coordenador dos cursos de bacharelado e pós-graduação em Turismo da Universidade do Sagrado Coração - USC)