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Cristovam anuncia transferência para o PDT

Folhapress
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Brasília - Primeiro parlamentar a se desfiliar do partido desde o início da atual crise política, o senador Cristovam Buarque (DF) formalizou ontem sua saída do PT. Ele deve ir para o PDT, apesar de também estar conversando com o PPS.

Em entrevista à publicada no último domingo o senador não descartou concorrer à Presidência da República no próximo ano. “Se um grupo de partidos quiser eu serei candidato a presidente”, repetiu ele ontem, ressaltando porém que essa não é uma precondição para entrar em uma sigla.

Cristovam anunciava há três semanas que deixaria o PT e, embora não houvesse formalizado a decisão, já dizia que não se considerava mais integrante do partido. Segundo ele, o motivo de sua saída não foram as denúncias de corrupção. “Isso é coisa de uma parte dos dirigentes, e não do partido como um todo”, disse ele.

O real motivo de sua desfiliação, de acordo com Cristovam, seria a descrença na capacidade do PT de construir um projeto alternativo para o país nos próximos dez anos. Ainda de acordo com o senador, em vez disso, o partido vai “gastar sua energia” na luta interna. O PT tenta se reorganizar internamente depois das denúncias de corrupção que atingiram o partido e abalaram uma de suas principais bandeiras, a da ética.

Entre as diversas decepções de Cristovam com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está o que chama de “desprezo” pela educação, a principal bandeira do senador. Ministro da pasta no primeiro ano do governo Lula, Cristovam foi demitido por telefone, uma das mágoas que guarda do partido. Ao deixar o posto, ele se queixou que seus projetos ficavam parados, segundo ele, na Casa Civil, que era ocupada por José Dirceu.

Com a saída do PT, Cristovam terá que deixar a presidência da Comissão de Relações Exteriores do Senado, vaga que é do partido.

Na entrevista publicada no último domingo, Cristovam afirmou, ao analisar o cenário político, que havia espaço para sua candidatura à Presidência da República. “Vamos ter PT e PSDB muito parecidos, discutindo taxa de juros; PSTU e PSOL radicalizando, prometendo coisas que não vão poder fazer; e no meio desses há ainda espaço para o aparecimento de alguns populistas”, afirmou.

“Precisamos de um candidato com compromisso com o realismo econômico e com a transformação da realidade social”, disse ele, que descartou ser candidato ao governo do Distrito Federal, cargo que já ocupou.

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