Articulistas

Dois anos na faculdade: pouco tempo ou tempo suficiente?


| Tempo de leitura: 3 min

O que vale mais hoje em dia: o diploma de graduação (4 anos), superior tecnológico (2 anos) ou o certificado de conclusão de um curso seqüencial (2 anos) obtidos na mesma instituição? Independentemente da escolha feita, a verdade é que os chamados cursos seqüenciais e os superiores tecnológicos têm apresentado, nos últimos tempos, uma procura acentuada, impulsionada pela própria demanda do mercado de trabalho. No caso, o motivo para essa demanda está relacionado diretamente às próprias características dos cursos.

Modalidade do ensino superior na qual o estudante que concluiu o ensino médio pode ampliar seus conhecimentos ou melhorar a sua qualificação profissional, os seqüenciais e os superiores tecnológicos são voltados para a atuação profissional e têm duração média de dois anos. Além disso, o mais importante é que eles podem e devem ser encarados como a complementação de um conhecimento específico, que atende principalmente quem não quer fazer ou não precisa passar pelo sistema tradicional de graduação.

Nesse sentido, fica claro que estes cursos representam uma boa oportunidade de iniciação à vida universitária, especialmente para o aluno que, ao terminar o ensino médio, quer experimentar este tipo de convivência. Por conta disso, não é exagero dizer que eles podem ser vistos, inclusive, como o primeiro passo, a base para quem quer continuar a carreira acadêmica.

O crescimento da oferta observada nos seqüenciais e superiores tecnológicos encontram justificativa na identificação, por parte das instituições de ensino superior particulares, das necessidades de formação que não eram atendidas pelos cursos tradicionais de bacharelado, que, por vezes, ainda apresentam formatos defasados quando não distantes das expectativas do mercado de trabalho.

Não se está aqui defendendo a sobreposição dos cursos seqüenciais e tecnológicos em relação aos de graduação tradicional, apesar da similaridade existente em algumas disciplinas que formam a grade curricular dos cursos. Faz-se necessário ressaltar que são modalidades de ensino com formações e objetivos distintos. Dessa forma, achar que os alunos que passam pelos seqüenciais e superiores tecnológicos vão assumir o espaço daqueles que freqüentam a graduação tradicional é errado. Até porque as áreas de atuação são diferentes, o mesmo valendo para a lógica pedagógica. Por exemplo, apenas os estudantes graduados nas modalidades tradicionais e superiores tecnológicos podem dar prosseguimento à carreira acadêmica, optando por fazer mestrado e doutorado, ao contrário dos estudantes que passam pelos seqüenciais.

Portanto, não há sentido algum em falar em vantagens ou desvantagens dos cursos seqüenciais e superiores tecnológicos. O que é fato é que eles são importantes sim, já que conferem conhecimento diferenciado, com viés profissionalizante, representando um caminho para quem deseja se inserir mais rapidamente no mercado de trabalho. A questão de fundo, que precisa ser debatida, é a qualidade dos seqüenciais e superiores tecnológicos existentes hoje em dia. Sem dúvida, esta discussão é motivo de preocupação para as instituições de ensino superior. Trata-se de uma tarefa bastante árdua, ainda mais tendo em vista que os estudantes estão mais exigentes, em busca de um ensino que atenda às suas reais expectativas e que seja financeiramente acessível. Eis a lição de casa dos dirigentes das faculdades e universidades particulares.

A autora, Terezinha Otaviana Dantas da Costa, é diretora geral das Faculdades Integradas Torricelli e da Faculdade Idepe - Guarulhos

Comentários

Comentários