Além de galerias, asfalto, iluminação pública e segurança, uma outra reivindicação popular surpreendeu o grupo que coordena as discussões do Plano Diretor em Bauru. Os moradores das regiões já convocadas para apontar suas principais demandas identificaram como problema a escassez de áreas verdes nos bairros.
O Plano Diretor estabelecerá diretrizes para o crescimento da cidade nos próximos anos, a partir das discussões com a comunidade. Na zona urbana, já começaram a ser consultados os moradores do setor 3 (correspondente à bacia do córrego da Forquilha) e do setor 4 (referente à bacia hidrográfica do córrego Água do Sobrado). Nas duas regiões, a reclamação referente à carência de praças, espaço para lazer e esporte foi unânime.
“Aqui não tem bosque para a gente se divertir ou caminhar. Se quiser, tem de se sujeitar a esbarrar em cachorro morto, desviar de carros ou tropeçar nas calçadas (irregulares). Espero que com Plano Diretor a coisa mudeâ€, diz o presidente da Associação de Moradores da Vila Independência, Evilácio Fazzio. Ele não participou da última reunião realizada quinta-feira pelo grupo que coordena o plano, mas já esteve numa outra.
Já José Antonio Gaspar Júnior, morador da Vila Ipiranga, nem ouviu falar do Plano Diretor. Porém, concorda com a reivindicação por área verde apresentada por representantes da região no último encontro realizado na véspera do feriado de 7 de Setembro. “Aqui não tem nada. Se quiser fazer alguma coisa, tem que sair do bairro. As crianças brincam na rua. É perigoso por causa do tráfego. Mas acho que vale a pena brigar por issoâ€, afirma.
Até porque, em muitos casos, o pedido da população não é custoso para o poder público. “Às vezes, o que eles querem é mais simples do que se imagina. Se comparar com outros equipamentos (como de Saúde e Educação), é até mais baratoâ€, explica a coordenadora do Plano Diretor, Maria Helena Rigitano.
De acordo com ela, a demanda por área verde surgiu nestas regiões porque são constituídas por bairros antigos, sendo que só a partir da década de 80 a legislação municipal passou a exigir dos loteadores a reserva de 5% da gleba para equipamentos institucionais (como creches e escolas) e 10% para área verde. Por causa da situação, equipamentos de Saúde e Educação, por exemplo, foram construídos pela cidade em áreas onde deveriam funcionar praças.
“Em conjunto com a população vamos encontrar alternativas, como identificar áreas públicas remanescentesâ€, conclui Rigitano.
Localização
Setor 3 - Jardim Eugênia, Terra Branca, Independência, São Francisco, Santista, Jardim Solange, Shangri-lá e Jardins do Sul
Setor 4 - Jardim Vitória, Ouro Verde, Granja Cecília, Jardim Ferraz, Vila Ipiranga, Sabiás, Vila Nipônica e Jardim Gaivotas
Setor 8 - Araruna, Núcleo Beija Flor, Núcleo Habitacional Florida, Núcleo Habitacional Mary Dota, Núcleo Habitacional Nobuji Nagasawa (Bauru 2000), Núcleo Habitacional Nova Flórida, Residencial Pagani, Santa Luzia,Vila Silvestre