O padre Ednei Antônio Braga Rodrigues, 56 anos, garante que a Igreja não faz restrição à atuação das benzedeiras, apesar de recomendar “alguns cuidados†com relação tema. “A gente não tem como impedir isso, pois o dom (da bênção) vem de Deus e a pessoa se sente chamada. O padre não pode fazer discriminação. Ele deve, sim, acolher as pessoas que têm este dom pois ela é boa para a comunidade. O padre deve apenas acompanharâ€, explica.
Rodrigues, que é diretor espiritual da Renovação Carismática em Bauru e comanda a Paróquia de São João Batista e Nossa Senhora de Lourdes, na vila Popular Ipiranga, afirma que há benzedeiras que realmente oram e intercedem pelas pessoas, mas que há também outras que mascaram esta relação e “fazem isso para ganhar dinheiroâ€. “As que fazem com o coração aberto têm um ministério, como uma mãe que ora pelo filho. Mas tem também um lado lucrativoâ€, adverte.
O padre lembra que a Igreja também possui pessoas que intercedem pelos outros. “A própria Renovação Carismática tem o grupo da intercessão. Aqui em Bauru temos ainda as cônegas, que ficam enclausurada no mosteiro e elas são intercessoras bênção que vem de Deus. A pessoa apenas é o canalâ€, teoriza.
Rodrigues admite que esta intercessão pode ajudar na melhora da saúde das pessoas, mas ele adverte ser muito importante que as pessoas não fiquem alienadas a ponto de privilegiar uma benzedeira em detrimento de um médico.
A pesquisadora em religiões populares Dalva Aleixo contesta o padre Rodrigues e diz que a Igreja tradicional se incomoda “muito†com manifestações como as das benzedeiras. “Não diria que a Igreja tradicional mantém alguma espécie de preconceito, mas há reservasâ€, garante.
Ela, porém, entende como natural a aceitação desta prática, principalmente pelos carismáticos. “Os carismáticos são pentecostais, acreditam no Pentecostes, no dom de fala. Resumindo, acreditam no transmediúnicoâ€, explica.
“Os carismáticos também eram reprimidos pela Igreja, mas quando a instituição percebeu que havia um mercado enorme conquistado pelos evangélicos neopentecostais, como os da (Igreja) Universal (do Reino de Deus), aí ela (Igreja) se abriu para os carismáticos, até como forma de sobrevivênciaâ€, completa Aleixo. (SP)