Foi durante a construção da Estrada de Ferro Noroeste que nasceu o patrimônio que gerou a cidade de Avaí, ressalta o historiador e morador da cidade Vivaldo Pitta. “Quando os engenheiros estavam fazendo estudos para construção da Estrada de Ferro Noroeste é que surgiu a idéia de se fundar um patrimônio.”
A Fazenda Jacutinga pertencia a Gasparino de Quadros e ele era morador de Agudos. “Foi sugestão de João Batista Dias, conhecido por João Guari, que Gasparino doasse terras para o patrimônio que ficaria ao lado da estação ferroviária.”
Mas a doação só foi feita depois que a ferrovia se instalou na região. “Em 1905/1906, depois que ele viu que a ferrovia já havia passado pela região, ele fez a doação das terras. A doação foi feita em Agudos, no dia 18 de junho. Ele doou cinco alqueires e depois mais cinco.”
As terras foram doadas para a Câmara Municipal de Bauru. “Porque tudo pertencia ao município de Bauru. Assim começou o povoado em torno da ferrovia.”
O primeiro nome recebido pelo patrimônio foi Jacutinga. “Em 1919 foi criada a lei emancipando o povoado. Ele foi elevado a município. Como existia uma cidade chamada de Jacutinga, no Estado de Minas Gerais, eles optaram por Avaí. O nome é uma homenagem à Batalha de Avaí, na Guerra do Paraguai.”
A estação ferroviária foi inaugurada em 1906. O primeiro chefe da estação foi Antonio Augusto de Faria. A inauguração contou com a presença do ministro de Viação na época, Lauro Severiano Muller.
O primeiro juiz de paz foi Horácio Messias Nogueira. A prefeitura, nesta época, esteve a cargo de Osório Pinto Machado, enquanto que a presidência da Câmara ficou com coronel Juvêncio Silva.
O aniversário de Avaí é comemorado no dia 2 de dezembro de 1919. A cidade está com 86 anos. O doador das terras e tido como fundador é o major Gasparino de Quadro. Ele nunca morou em Avaí, morou em Agudos e Bauru. Em sua homenagem, a praça principal da cidade recebeu seu nome.
Resgate histórico
A história de Avaí - ou parte dela -está reunida no Museu Municipal "Prefeito João Pereira Novo Filho", no Centro da cidade. Nele é possível ver fotos, telas, documentos, jornais e peças que retratam um pouco da história da cidade.
O museu é administrado por Vivaldo Pitta, que em 1999 trouxe o acervo. “A inauguração foi em 15 de março de 2003. Estou tentando fazer um resgate histórico da cidade, da região e da Noroeste. Aqui no museu tem a parte funcional da Noroeste desde 1938. Todos os funcionários que passaram pela ferrovia e a parte literária.”
No museu é possível ver também toda a aparelhagem do antigo cinema. O retroprojetor de filmes é tão grande que ocupa quase a totalidade da sala. A cadeira de barbeiro é outra peça que chama a atenção do visitante.
A fundação das aldeias indígenas, segundo Pitta, foi em 1912. “Três anos depois foi fundada a loja Maçônica de Avaí, que é a Loja-Mãe da Noroeste. Na oportunidade a cidade recebeu o Grão-mestre do Grande Oriente. ”
O trem turístico
Para Vivaldo Pitta, a cidade de Avaí precisa atrair turistas e com isso movimentar o comércio e gerar empregos. “Eu apresentei um projeto do trem turístico entre Bauru e Avaí. É um resgate histórico porque a ferrovia foi inaugurada com o trecho Bauru/Jacutinga.
Na opinião dele, Avaí poderia se tornar um pólo turístico. “Para isso precisa de vontade política, se não a idéia fica só no papel. Eles pensam em trazer penitenciária e eu quero que a cidade seja turística”, reclama.
O prefeito da cidade, Paulo Sérgio Rodrigues, também pensa em transformar Avaí em cidade turística. “Nós temos as aldeias indígenas com seu artesanato típico. Quero trazer a Maria Fumaça de Bauru para Avaí. Os turistas viriam no trem, fariam a visita nas aldeias, assistiriam a dança dos índios e poderiam comprar artesanato.”