Criticaram o ex-presidente francês Charles De Gaule quando disse que este não é um país sério. Será que tinha razão? Qual a nossa seriedade quando elegemos esses deputados, senadores e outros representantes do povo que aí estão? Quando tentamos levar vantagens em tudo, pois “essa é a lei da vida”; quando chegamos em casa, vindos da igreja e um pedinte bate à nossa porta querendo um pedaço de pão ou “alguma coisa pra comer” e, sem nenhuma cerimônia, hipocritamente dizemos que nada temos (será?); quando, no trânsito, outro motorista pede para entrar na nossa frente e fazemos questão de não deixar; quando recebemos algum troquinho a mais e fazemos que não percebemos, embolsando a mísera quantia; quando vendemos um carro com muitos problemas, dizendo que o mesmo é ótimo, felizes por ter encontrado um comprador ingênuo; quando ensinamos ao nosso filho que ele não deve ser enganado por outro, antes enganando, se for necessário; quando comentamos a má fase de um amigo que acabou de deixar a mesa do bar, não com o espírito de colaborar para que melhore de vida, mas para mostrar o quão perdedor é o mesmo; quando vemos um acidente na nossa frente, mas evitamos parar para socorrer; quando comentamos a má fase do vizinho nos negócios ou no seu lar, fechando o assunto com um “... é, eu não gosto dele mesmo!”; quando pedimos a um amigo que dê seu aval em um empréstimo e, depois, não pagamos e deixamos que seja acionado pela dívida; quando “mutretamos” nossos impostos, enganando o governo; e quando, finalmente, criticamos os governantes por não garantir moradia, alimentação, escola, saúde, transporte, emprego, para todos, como se o Estado tivesse obrigação de prover tudo? Vale aqui lembrar John Fitzgerald Kennedy quando disse, ao tomar posse no governo dos EUA, que o povo não deveria perguntar o que o país podia fazer por eles, mas o que podiam fazer pelo país. Parece que precisamos repensar melhor nossas ações à luz da ética, da religiosidade, da competência e do amor pelo próximo, pois acho que não estamos próximos de sermos um país nem “meio sério”, para não dizer “meia boca”.
Francisco Medeiros - RG 3.729.041