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De viagem marcada, Marcos Pontes corre contra o tempo

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

A primeira missão do astronauta brasileiro Marcos Pontes finalmente já tem data marcada. Será em abril de 2006. O tempo que lhe resta antes de sair da órbita da Terra será permeado por muito trabalho. Até porque, o vôo espacial não será mais a bordo de uma espaçonave americana, velha conhecida dele, mas de uma russa. Diante do novo desafio, o tenente-coronel aviador passou no último final de semana por Bauru para cumprir uma espécie de ritual.

“Buscamos na família e nos amigos um tanto de energia. São as raízes. Sem ela, você não sabe para onde crescer”, diz. A parada estratégica é justificável. Em pouco mais de seis meses, Pontes terá de se desvencilhar de suas atividades na NASA (Agência Espacial Americana) para começar a treinar na Rússia, dia 27 deste mês. Lá, além de conhecer a espaçonave Soyuz e se familiarizar com o idioma, ainda terá contato com os cinco experimentos brasileiros, que ainda estão em processo de seleção e serão testados na Estação Espacial Internacional (EEI).

A estação é um projeto de engenharia de 16 países, como Itália, Rússia e EUA. O Brasil é o único País em desenvolvimento a participar. Também foi o Brasil que recebeu da Rússia o convite para o vôo. Na semana passada, as agências espaciais brasileira e russa rubricaram, em solo verde-e-amarelo, uma minuta de contrato em que a data da viagem está estabelecida.

Até dia 20, o documento final será firmado. No máximo sete dias depois, Pontes estará em Moscou. Por seis meses, ele permanecerá no centro de treinamento Star City, a 25 quilômetros de Moscou. “Será um (dos treinamentos) mais rápidos que a Rússia já fez. Em tempo recorde. Nunca o vôo esteve tão próximo. Tenho cadeira marcada. Agora só faltam algumas questões burocráticas”, acrescenta Pontes, que após tripular uma nave russa, se tornará um cosmonauta.

O tenente-coronel aviador viajará acompanhado de outros dois tripulantes russos, um deles será o comandante (cuja nacionalidade deve ser obrigatoriamente russa). Os três permanecerão por cerca de dez dias na missão, sendo que passarão por recuperação médica nos 15 dias subseqüentes à volta. Mas antes disso, ainda na EEI, Pontes exercerá várias funções, como a de tripulante e operador de equipamentos robóticos.

Também terá a atribuição de fazer pequenos reparos externos e internos na estação. As responsabilidades lhe garantem apenas certa ansiedade, controlada com facilidade pelo astronauta. Após sete anos de treinamentos na NASA, Pontes aponta como único temor a possibilidade de não participar de um vôo espacial. No entanto, também é possível que ele saia da órbita terrestre também em nave americana, a partir de 2008.

De acordo com o tenente-coronel, um vôo não exclui o outro. Além disso, ele deve voltar a trabalhar na agência espacial americana após a viagem com tripulação russa.

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Companhia brasileira

O astronauta Marcos Pontes vislumbrou na bandeira brasileira uma alternativa para sair do planeta “acompanhado por outros brasileiros”. A peça verde-e-amarela, símbolo do País, percorrerá vários municípios e Capitais e será tocada pela população. Depois, viajará com Pontes ao espaço.

“Essa idéia é antiga e agora tomou corpo. Todas as coisas que fiz, não fiz sozinho, fiz pelo País. É como levar as pessoas comigo. Além disso, acho que devíamos expor mais a nossa bandeira”, afirma o tenente-coronel. O símbolo nacional percorrerá o Brasil com a exposição itinerante Bandeira Brasileira, uma Viagem no Espaço. O evento também homenageará o aviador Santos Dumont. Em 2006, comemora-se o centenário de seu primeiro vôo.

“Deve começar em outubro (a exposição). Também vou levar um chapéu dele. Faz sentido até para a educação”, comenta o tenente-coronel. Alías, a formação de jovens e adolescentes é uma preocupação para Pontes, que tem uma escola de Ensino Médio e cursinho pré-vestibular em Bauru.

“Como passei a vida toda me preparando, era cobrado (a publicar livros com as técnicas de assimilação). Além disso, como o índice de aprovação de bauruenses (em instituições como o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e faculdades públicas de medicina) era baixo, resolvi (apostar no ramo)”, diz. Entre uma disciplina e outra, os professores ajudam os alunos da Escola Espaço Educação Integrada a descobrir seus objetivos e a lutar por eles, acrescenta o astronauta.

“Temos de buscar (nossos propósitos) até o fim. Tenho mania de ser otimista”, conclui. A reportagem tentou contato, sem sucesso, com a assessoria de imprensa da Agência Espacial Brasileira para obter informações sobre os experimentos e o convite russo.

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