Bairros

Jovens são flagrados pichando escola

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Dois adolescentes foram flagrados na madrugada de ontem pichando a parede da Escola Estadual Stela Machado, na Vila Pacífico. A polícia foi chamada ao local e os dois foram levados ao Plantão Policial, onde os familiares foram chamados.

De acordo com boletim de ocorrência, os adolescentes, de 15 e 17 anos, teriam sido descobertos por volta das 3h30 pelo caseiro da escola, Mário Parolin, 67 anos. Ele informou à polícia que os dois rapazes teriam pulado o muro para dentro da instituição e estariam pichando na parede as letras “NEG”.

O caseiro, que não foi localizado pela reportagem para comentar o assunto, teria acionado a polícia, que surpreendeu os dois. Eles foram levados ao Plantão Policial, onde foram entregues aos responsáveis.

A avó do mais jovem contou à reportagem que o neto costuma passar os finais de semana na casa dela, que mora na Vila Bela. “Ele sempre sai à noite e volta direitinho. Essa noite aprontou e passou do limite. Não me conformo, estou chocada. Não vou dizer que ele é santo, mas nunca tinha feito coisas assim”, lamenta.

Segundo ela, o neto já está proibido de passar os finais de semana lá. “E nem sei o que vai acontecer quando meu genro (pai do adolescente) chegar do trabalho hoje, porque ele está muito bravo”, comenta.

A avó do outro adolescente, de 17 anos, também mostrou-se surpresa. “Claro que fiquei chateada. Criei quatro filhos, crio outro neto desde pequeno e nunca tive um problema assim. Agora pretendo trazê-lo na rédea curta. E meu genro, que é advogado, já disse que vem aqui conversar com ele”, afirma.

Segundo a avó, o adolescente sempre se comportou bem, mas estaria dando problemas desde a morte da mãe, ocorrida há alguns meses. “Bastou afastar da igreja e pronto”, sugere.

Agora, os jovens terão de comparecer com seus responsáveis ao Juizado de Menores, que tomará as providências necessárias.

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Experiência sadia

A inspetora de alunos Maria Inês Faneco, 44 anos, usou a experiência da pichação na adolescência para criar uma forma saudável e alternativa de mandar recados. Depois de muitos flagrantes, ela hoje picha o muro da própria casa, com mensagens que variam do carinho ao protesto.

“Pichei muito quando adolescente, nos anos de 1979 e 1980. E tive muitas complicações por isso, comprei muita tinta para apagar as pichações. Mas a vida vai mudando a gente, você vê o quanto custa”, salienta.

Ela conta que quando construiu a casa onde mora, teve a idéia de reservar um pedaço do muro para deixar seus recados. “A primeira mensagem foi para uma amiga que morreu. Semana passada deixei um recado para a CPFL (Companhia Paulista de Força e Luz), sobre uma coisa de que não gostei. E hoje ainda vou trocar essa aí por uma em homenagem a uma amiga que fará aniversário”, destaca.

No momento da reportagem, o muro desejava feliz aniversário a Renato Almeida, filho de uma amiga da inspetora, que acaba de completar 18 anos.

Na opinião de Faneco, a melhor forma de coibir a pichação como forma de vandalismo é incentivar a pintura artística dos muros. “Trabalhei numa escola onde a diretora reuniu os alunos, eles fizeram um projeto de grafitagem, a escola cedeu a tinta e os alunos pintaram o muro. Ficou lindo e eles adoraram. Acho que outras escolas deveriam fazer isso”, recomenda.

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