Dignidade não é um bem qualquer, que pode ser comprado. Nobreza de caráter não se compra, se constrói. É na família, na escola e na sociedade que, através de exemplos, desenvolvemos dentro de nós a maquete daquilo que será erigido como um monumento, construção moral do homem: a dignidade.
Se, nesse período da vida, faltar-nos o apoio da família, da escola, da sociedade; faltar-nos a visão do humano, do justo, do social, do moral; faltar-nos os princípios de civismo e civilidade, com toda certeza, seremos inclinados a trilhar caminhos opostos. Aderindo aos princípios da imoralidade, da falaciosidade, da ambição desmedida, do aulicismo e da corrupção.
Embora para alguns possa parecer que a integridade moral é um privilégio deste ou daquele setor social, de ricos ou altas expressões culturais, ela pode se manifestar tanto na refinada sociedade quanto em ambientes incultos - barracos e favelas. Isso porque a nobreza de caráter não se confunde com cultura ou riqueza. Nem todo rico é corrupto. Assim como nem todo pobre o é. Tudo depende da rigidez moral do “ser humano”.
Infelizmente, nós, brasileiros, nos ressentimos de um estímulo moralizante; especialmente, em relação a certos setores administrativos e poderes. Até parece que estamos fadados a conviver com a indignidade, com a improbidade e com a corrupção.
Por que é que o Brasil, com mais de 500 anos de existência, permanece na fase do “caranguejo”? Isto é, sobe cinco metros na escarpa rochosa junto ao mar e de lá escorrega e despenca ao nível das ondas. Daí, recomeça novas fracassadas tentativas, sem nunca chegar ao ápice.
Sabem por que isto sucede neste nosso Brasil? Porque a rocha está impregnada de um líquido viscoso e escorregadio da imoralidade humana, o que dificulta a caminhada da Nação para o progresso. É o visgo da deficiência moral do “ser humano”.
Veja-se o que vem sucedendo na atualidade. Parece até que o Brasil sofreu o ataque de uma revoada de gafanhotos atômicos, famintos. Se não é isto, talvez seja um supertsunami da indigência moral.
O presidente, coitado, não sabe de nada. Não percebe nada. Cremos mesmo que nem quer saber das imoralidades que maculam suas insistentes e apregoadas “boas intenções”. Na sua “ingênua” credulidade, assim se expressa: “não acredito! Isto é coisa de inimigos da nossa democracia; dessa incívica imprensa brasileira”. Agora, está tudo claro: o “porquê” da tentativa de se botar um freio na imprensa. Se não fosse a imediata reação, hoje estaríamos amordaçados e algemados - pés e mãos.
Num País onde viceja a falta de civismo, a improbidade, a irracionalidade, a mentira, o estrionismo, a concupiscência, a dissimulação, a mediocridade, a hipocrisia, o que é que nós, o povo, pode esperar? Pobre Nação brasileira. Invejavelmente rica em sua natureza, porém carente de "seres humanos” que tragam consigo, pelo menos, um pequeno embrião de civismo e dignidade.
Áureo Corrêa de Souza