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A salutar indignação da juventude


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Conhecer o comportamento dos estudantes é uma constante preocupação do Centro de Integração Empresa-Escola - CIEE, até como forma de aprimorar a administração dos programas de estágios promovidos em parceria com empresas, órgãos públicos e escolas. Delinear, cada vez com mais precisão, a realidade do mundo jovem é, assim, o grande objetivo da série de pesquisas, realizadas periodicamente pelo CIEE, seja por meio do seu site ou de questionários respondidos pelos jovens nas visitas a seus escritórios ou, ainda, por encomenda a institutos independentes de pesquisa de opinião.

Um tema palpitante foi o tema o último levantamento: A opinião dos estudantes sobre os recentes escândalos na política, concluído em julho e respondido por 573 jovens. Os resultados, com grande probabilidade, espelham o sentimento geral dos brasileiros: 64% não acreditam na eficiência das investigações oficiais, alinhando-se à idéia de que tais processos poderão terminar em pizza, como se diz na linguagem popular. Mas nem por isso os jovens se mostram lenientes com a impunidade. Se pudessem decidir a punição, eles condenariam os responsáveis à prisão (40%) ou os obrigariam a devolver o dinheiro público desviado (38%). A maioria (41%) dos participantes da pesquisa tem entre 17 e 20 anos e estão formados ou cursando o ensino superior (62%). Uma parcela de 55% não trabalha nem estagia, mas procura uma oportunidade e 41% pertencem a famílias com renda entre dois e cinco salários mínimos.

Outro resultado pode ser entendido como alentador. Entre as alternativas “indignado”, “desanimado” ou “indiferente” à pergunta “como você se sente diante da onda de denúncias de corrupção?”, 73% preferiram a primeira opção, dando margem à conclusão de que a ética ainda é um valor que não deve ser desprezado, principalmente por aqueles que ocupam cargos públicos. Tudo indica, com a avaliação das outras respostas, que felizmente os jovens ainda podem ser visto como uma reserva moral da sociedade. Na grande maioria, eles entendem que ser ético não vale somente para quem já conquistou o sucesso na carreira, mas também deve pautar o comportamento daquele que se prepara para começar a construí-la. E mais: muitos sabem que é uma qualidade valorizada não só na vida pessoal, mas também na rotina do mundo corporativo.

No contato permanente que mantém com milhares de jovens, o CIEE sempre enfatiza a importância de se adotar uma postura ética desde os bancos escolares, para que, ao ser contratado como estagiário, o estudante já saiba exercitá-la no ambiente profissional. Pois com isso, além de uma confortadora consciência tranqüila, ele também conquistará pontos na construção da carreira, pavimentando com mais solidez sua jornada pessoal e profissional. Dessa forma, o CIEE busca, mais uma vez, colaborar para a formação das novas gerações, com a esperança de que as denúncias de corrupção que hoje maculam o noticiário sejam substituídas por ações de homens e mulheres que coloquem o bem comum à frente dos interesses individuais.

O autor, Luiz Gonzaga Bertelli, é presidente executivo do CIEE, da Academia Paulista de História - APH - e diretor da Fiesp.

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