Polícia

DIG fecha telemarketing de entidade de Avaré por série de irregularidades

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

Uma empresa de telemarketing que vinha pedindo doações em Bauru para uma entidade de Avaré que está sob intervenção deixou de funcionar ontem após a Polícia Civil apreender telefones, 4.529 fichas de colaboradores, R$ 423,00 e indiciar o dono da empresa por estelionato. A Romarc Telemarketing funcionava na quadra 3 da rua Monsenhor Claro, área central de Bauru, com dez funcionários - cinco em cada turno. Por telefone, eles pediam doações de R$ 5,00 ou R$ 10,00 à população.

O delegado J.J. Cardia, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), explica que constatou quatro irregularidades na empresa. “A entidade, a Residência do Amor Fraternal de Avaré (Rafa), está sob intervenção, segundo informou a Polícia Civil de Avaré; o contrato que a empresa de telemarketing tinha com a entidade para pedir as doações foi assinado pela diretoria anterior da Rafa, da gestão antes da interdição; não havia prestação de contas e a empresa de telemarketing não tinha alvará para funcionar”, lista.

O dono do serviço de telemarketing, Antônio Marcos da Silva, 47 anos, contou ao delegado que entre 60% e 70% do valor doado pela população em Bauru ficava com a empresa. A entidade de Avaré recebia apenas de 30% a 40% do dinheiro doado. Ele foi ouvido pelo delegado e liberado, mas responderá por estelionato, crime cuja pena é de um a cinco anos de reclusão.

Os funcionários da empresa de telemarketing alegaram que não sabiam das irregularidades. Procurada pela reportagem, a diretoria da Rafa informou que não sabia que a empresa estava atuando sem alvará, mas não quis comentar o contrato para pedido de doações em dinheiro e o motivo da intervenção. A Rafa é uma entidade que atende idosos.

A aposentada Maria Shirley Pires, moradora dos Altos da Cidade, que fazia parte da carteira de mais de 4 mil colaboradores da Romarc, conta que doou pequenas quantias em dinheiro pelo menos quatro vezes em mais de um ano. “Eu doava só R$ 5,00 exatamente porque tem tanta malandragem neste mundo que a gente não sabe o que é sério”, disse.

Vera Lúcia Bassan, que mora na Vila Altinópolis, também doou R$ 10,00, mas uma única vez. “Eles me ligaram mais umas três ou quatro vezes, mas eu deixei de colaborar porque não acho justo ajudar entidades de fora. Eu costumo colaborar com entidades de Bauru”, comenta.

Cardia orienta a população a solicitar informações sobre entidades de outras cidades que venham a pedir colaborações em dinheiro ou em outro tipo de bem para verificar a idoneidade da instituição. “Em caso de dúvida, devem nos ligar que nós vamos lá checar. Já apreendemos em Bauru um caminhão lotado de roupas que foram coletadas na cidade para uma entidade de São Paulo. Mas na verdade as roupas eram vendidas em um brechó”, finaliza.

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