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Coronel que prendeu Genoíno e ex-deputada agitam depoimento

Folhapress
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Brasília - O depoimento de José Genoíno aos integrantes da CPI do Mensalão foi marcado por acontecimentos inesperados. O primeiro aconteceu quando o ex-presidente do PT já tinha começado a responder perguntas. Ainda no início, o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), opositor de Genoíno, entrou na sessão com o coronel Lício Augusto Ribeiro Maciel. Maciel foi o responsável pela prisão e interrogatório de Genoíno na época da guerrilha do Araguaia.

Ao ser informado da presença do coronel, o presidente da CPI do Mensalão, Amir Lando (PMDB-RO), pediu discretamente para Bolsonaro retirar o coronel da sala de audiência, mas a sua solicitação não foi atendida. Em seguida, atendendo a pedidos de parlamentares do PT e da própria oposição, Amir Lando exigiu a saída do coronel.

“Paguei a passagem dele (do coronel) e acho que, como cidadão, todo mundo pode acompanhar os depoimentos”, disse Jair Bolsonaro. Em seu depoimento, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) criticou a presença do deputado carioca e do coronel na sessão. “Parece que ainda existem pessoas que estão com saudade da ditadura militar.”

Raquel

Outro fato inesperado foi o aparecimento da ex-deputada por Rondônia Raquel Cândido (PTB). Cassada em 1992 pela CPI do Orçamento, a deputada usou o depoimento de José Genoíno à CPI do Mensalão como uma revanche contra o ex-colega, que fez parte da comissão de inquérito que culminou na sua cassação e na de outros deputados.

Visivelmente alterada, Cândido, que mora em uma chácara em Planaltina, no entorno de Brasília, entrou na sala da CPI e ficou encarando Genoíno. Ao sair da sala, a ex-deputada, que é evangélica, se ajoelhou no Salão Verde da Câmara e orou.

Gritando pelos corredores da Câmara, Raquel Cândido disse que voltaria ao término da sessão para chamar Genoíno de “dedo-duro, vendilhão e traidor”. “Ele e outros negociaram minha cassação para salvar outros. Nunca roubei um centavo e fui acusada de desviar R$ 1 milhão do Orçamento”, protestava.

Ela disse que ainda gostaria de ver outros, entre os quais citou a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), no banco das CPIs. “Deus é fiel. O tempo dele é o da verdade. Hoje (ontem) abri o jornal e decidi que tinha chegado a hora de ver meu algoz”, disse a ex-deputada.

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