A greve dos trabalhadores dos Correios, iniciada à 0h de ontem em várias regiões do País, em Bauru durou pouco mais de 13 horas. Após a empresa ter anunciado que considerava o movimento ilegal, a manifestação dos trabalhadores prevista para o período da manhã foi suspensa e, no início da tarde, em assembléia, a categoria decidiu pelo retorno imediato ao trabalho.
“Resolvemos suspender a greve porque nacionalmente houve divisão no movimento. Nossa expectativa era de que todos (os funcionários dos Correios) parassem. Mas continuamos em estado de greve, com a possibilidade de retomar a paralisação na segunda-feira”, argumentou o presidente do Sindicato dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) de Bauru e Região, José Aparecido Gimenes Gandara logo após a assembléia que decidiu pelo retorno ao trabalho.
Ele negou que a categoria tenha encerrado a paralisação em função da diretoria dos Correios de Bauru ter anunciado, hora antes, que considera o movimento ilegal.
Por volta das 9h, cerca de 100 funcionários dos Correios de Bauru reuniram-se em frente à agência central, na Praça Dom Pedro II, para fazer uma manifestação. Segundo a assessoria de imprensa dos Correios, naquele momento 90% dos carteiros e 90% dos trabalhadores do Centro de Tratamento de Cargas e Encomendas estavam parados.
Enquanto os trabalhadores aguardavam a chegada do caminhão de som para iniciar a manifestação, o diretor regional dos Correios, Vítor Joppert, anunciou que o movimento estava sendo considerado ilegal pela ECT. A razão da ilegalidade seria o fato de a empresa não ter sido oficialmente alertada previamente sobre um estado de greve.
“Diante disso, a partir das 15h (de ontem), tomaremos as providências judiciais cabíveis àqueles que não retornarem ao trabalho. Os que não comparecerem serão considerados faltosos e estarão sujeitos às medidas administrativas pertinentes”, advertiu, alegando que tais medidas poderiam ir desde uma advertência até a demissão, se confirmada a ilegalidade.
Gandara discordou da análise de que a greve era ilegal. “O movimento começou em julho. A pauta de reivindicações foi votada em 3 de julho em Bauru”, afirmou. Diante do impasse, o sindicato convocou uma nova assembléia para o começo da tarde de ontem. O caminhão de som que chegou ao local para dar início à manifestação foi dispensado e os funcionários se dispersaram.
Por volta das 14h de ontem, Gandara informou por telefone que a paralisação havia sido suspensa e que todos os funcionários voltaram ao trabalho. O presidente do sindicato declarou estado de greve.
Indagado pela reportagem, Gandara nega que a decisão de voltar ao trabalho tenha sido motivada pela possível ilegalidade do movimento. Ele informa que os trabalhadores optaram por suspender a paralisação em função da baixa adesão dos funcionários em outras regiões do Estado.
Segundo Joppert, a empresa recebeu com estranheza a paralisação dos funcionários. “A proposta que fizemos é uma das melhores entre todos os setores. A empresa oferece 5% acima da inflação. A proposta dos Correios é um reajuste de 11,9%, mais abono de R$ 600,00 - valores muito superiores ao que foi dado às demais categorias”, comenta.
Os trabalhadores, no entanto, reivindicam um aumento real de 20%, além da correção da inflação medida pelo IPCA (5,67%) a partir de agosto e elevação do piso salarial de R$ 448,00 para R$ 931,00, conforme divulgado nacionalmente ontem. Os trabalhadores defendem, ainda, a manutenção do monopólio da ECT no setor.
“A proposta da Federação dos Trabalhadores equivale a um aumento de R$ 27 bilhões anuais (nas despesas da ECT), o que representa três vezes mais que o faturamento anual da empresa. Portanto, é uma proposta descabida e inconseqüente”, argumenta Joppert.