Avaí - Antes de procurar o Estado colocando-se à disposição para receber as duas penitenciárias compactas, o prefeito Paulo Sérgio Rodrigues (PSDB) determinou que fosse realizada uma consulta popular para saber a opinião dos moradores.
Avaí possui atualmente cerca de 4,5 mil habitantes. Desses, 330 participaram da consulta e, segundo a prefeitura, 300 teriam votado a favor da construção das penitenciárias e 30 foram contra.
Na opinião da psicóloga Tânia Giansante, 49 anos, a pesquisa teria de ser mais abrangente. “Que representatividade tem isso (330 pessoas) em uma cidade com 4,5 mil moradores?”, questiona.
Segundo ela, muitos não ficaram sabendo da consulta, realizada em uma terça-feira, das 8h às 17h. “A consulta durou apenas um dia e muitos estavam trabalhando”, alega a psicóloga.
O produtor rural Antônio Carlos Salgado, 55 anos, disse que está sendo preparado um abaixo-assinado criticando a opção pelas penitenciárias. O documento será entregue na Câmara no dia em que o projeto de lei do vereador João Cassetari (PL) for colocado em votação. A expectativa é coletar cerca de 500 assinaturas.
As índias Maria da Glória, 26 anos, e Julia Lipu, 40 anos, da reserva indígena de Araribá, não assinaram o documento, mas se dizem contra a instalação dos presídios em Avaí. “Acho que não seria bom para a cidade”, justifica Maria. Segundo elas, a cadeia pública que funciona no município já é motivo de muita preocupação. “Imagina uma penitenciária”, compara Julia.
A dona de casa Adriana Bernardo da Silva, 40 anos, pensa diferente. Ela acredita que a cidade tem a ganhar com a ampliação sistema carcerário. “Não tem nada aqui. Ultimamente, nem a roça oferece mais tanto emprego. Muitas pessoas ficam paradas”, reclamou ela.
A suposta abertura de novas vagas de trabalho é também um dos principais motivos alegados por Osmar Belisário, 44 anos, para apoiar a iniciativa da prefeitura. Na opinião dele, o comércio da cidade também seria beneficiado com a chegada dos presos e seus parentes.
Para Eliseu Rodrigues Coelho, 50 anos, já que o município não consegue atrair novas indústrias a chegada de uma penitenciária é uma saída possível. Quanto a segurança, ele acredita que a cidade ficará mais violenta. “O progresso e a insegurança andam de mãos dadas”, sentencia.
Segundo Coelho, uma futura penitenciária daria menos dor de cabeça aos moradores do que a cadeia pública que funciona no Centro da cidade. A opinião é compartilhada pelo cabeleireiro Leandro Costa Bincoleto, 33 anos. Ele diz que ainda não sabe se o presídio será bom ou ruim para a cidade. A única certeza, segundo ele, é que uma penitenciária é mais segura do que uma cadeia. Ele conta que muitas pessoas comentam dentro de seu salão sobre a possível chegada da penitenciária. Segundo ele, as opiniões estão bem divididas. “Está meio a meio”, relata.
Enquanto Assunta Belisário, 70 anos, proprietária de um supermercado, acha que a chegada dos presos trará mais emprego e movimentação para o comércio, uma outra pessoa da mesma família, Ana Flávia Belisário, 16 anos, e a amiga Michelle Forte, 21 anos, não estão tão certas disso.
“Tem o lado bom e o lado ruim”, analisa Michelle. “As penitenciárias podem até trazer mais emprego, mas com certeza vai tirar a tranqüilidade dos moradores”, acredita ela.