Tribuna do Leitor

PT está em mãos erradas


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Construímos, ao longo de 25 anos, a mais importante ferramenta para a luta dos trabalhadores no Brasil. Fomos herdeiros das melhores tradições e aspirações socialistas que a esquerda já formulou em nosso País. Empolgamos milhares de lutadores do povo, para construir o sonho de um Brasil democrático, justo e soberano.

Vencemos e perdemos incontáveis batalhas, com suor e sangue. Mas aprofundamos a esperança de um Brasil governado pelos trabalhadores e para os trabalhadores.

Ainda hoje é verdadeira a prática de milhares de filiados e dirigentes do nosso partido, que desafiam a lógica do poder pelo poder, combatem os poderosos e se articulam com os movimentos sociais. Mas há um setor do partido que não representa mais as aspirações da esperança dos trabalhadores e sua história de lutas. O poder pelo poder, tornou-se sentido de busca para vaidades pessoais, desvios éticos, favorecimento dos feudos internos no PT ou externos na sociedade.

O campo majoritário tem responsabilidade direta pela falência de uma história reconhecidamente vitoriosa até meados dos anos 90. Mas, desde o primeiro congresso do PT, se questiona o papel do partido na construção dos sonhos para os quais dedicamos os melhores dias de nossas vidas. Os questionamentos não tiveram eco, a redoma do campo majoritário não permitia debates, discordâncias e enfrentamentos de idéias. Instaurou-se a lógica operante do bloco monolítico para a chegada ao poder o mais rápido possível, sem colocar os trabalhadores como protagonistas de sua história tendo somente o papel de coadjuvantes nas eleições de quatro em quatro anos.

O Processo de Eleição Direta (PED) nunca foi nosso método de escolha de dirigentes e resoluções políticas para o PT. Foi organizado pelo campo majoritário para uma democracia representativa, pois a militância é alijada do debate programático e da escolha consciente de seus dirigentes.

Mas quem imaginaria a quantidade de debates internos que temos hoje no PT antes desta crise política? Quem imaginaria que a esquerda do partido tivesse oportunidade de se expressar publicamente sobre os erros da história recente do PT e apontar seus responsáveis? Quem imaginaria que os poderosos do campo majoritário, protegidos por crachás eletrônicos e seguranças na sede nacional do partido, estariam hoje sendo cobrados pela militância do seu próprio campo, que se sente traída por seus líderes que nunca lhe deram satisfação alguma sobre suas decisões, sejam elas políticas ou administrativas.

Hoje o PED é o palco da disputa que não estava nos planos de quem se julgava acima dos filiados do PT. O partido se revolta contra seus principais dirigentes e retorna ao berço dos debates inflamados, de questionamentos de projetos, da crítica ácida em nome do projeto maior: ter um partido de trabalhadores para os trabalhadores rumo ao socialismo democrático e plural.

Ademar Aleixo Camilo - RG 7.636.492; Isaias Milaneze Daibem - RG 5.250.303; Odair Machado - RG 4.969.663

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