Cultura

‘Executivos’ do cinismo

Diego Molina
| Tempo de leitura: 2 min

Em uma empresa de armamentos, integrante de um grande conglomerado econômico, um diretor deseja crescer, assim como todos os outros. Para tal, até onde deve-se não medir esforços para superar os colegas/concorrentes e ostentar o sucesso corporativo? Essa é a trama do espetáculo “Executivos”, que o Grupo Tapa apresenta em Bauru em duas sessões, neste final de semana.

Com direção de Eduardo Tolentino, a peça é uma tradução de Clara Carvalho para “Les Directeurs”, texto francês contemporâneo de Daniel Besse, vencedor do Prêmio Molière de 2001. De acordo com a assessoria de imprensa da produção, os personagens são abordados quando a concorrência americana no setor começa a apertar.

Através de um humor cáustico e diálogos cortantes, os seis executivos e uma jornalista da área econômica se vêem em um jogo de competição, inveja, ambição e cobiça. No cenário, a grande empresa multinacional é hoje o campo de batalha onde se exercem as relações de dominação e de alienação social, o mundo fechado onde se travarão as novas guerras e os dramas humanos mais atrozes, expostos na peça.

A história é localizada em Paris, em seus restaurantes elegantes, campos de golfe e galerias de arte. No entanto, o diretor afirma que a trama tem caráter universal e poderia ter como personagens outras categorias, como professores, artistas ou políticos, assim como ter foco em qualquer outro país.

“A peça se passa numa multinacional e mostra as disputas internas entre os executivos. É o poder destruidor da empresa e o poder destruidor de cada um deles, pois o que vivem ali dentro é o que passam para fora”, comenta Tolentino, em entrevista por telefone ao JC Cultura.

Ele destaca que não houve necessidade de adaptação do texto para o público nacional. “O que eles discutem na peça está nos jornais, as pessoas acompanham diariamente. O que a peça tem são pequenas referências à França, mas poderia se passar em qualquer lugar – do primeiro mundo, porque não exportamos armas para o terceiro mundo, como eles”, observa. “Conhecemos a realidade do peso da indústria armamentista, tanto que teremos um referendo no País (sobre a proibição do comércio de armas de fogo)”, completa o diretor.

O elenco de “Executivos” conta com os atores André Garolli, Douglas Simon, Eldo Mendes, Marcelo Góes, Nicole Cordery, Patricia Pichamone e Renato Caldas, com participação especial de Dalton Vigh. Figurinos e cenário de Lola Tolentino, iluminação de Nelson Ferreira e sonoplastia de Paulo Marcos.

• Serviço

Peça “Executivos”, sábado às 21h e domingo às 20h, no Teatro Municipal Celina Lourdes Alves Neves (avenida Nações Unidas, 8-9). Ingressos a R$ 24,00 (antecipados), R$ 30,00 e R$ 15,00 (meia-entrada). Indicada para maiores de 14 anos. Mais informações: 3235-1072.

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