Pesca & Lazer

Aventura em um veleiro na Tietê-Paraná

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 3 min

Uma idéia na cabeça e um desejo de aventura atraíram os amigos Nilton Salmen Júnior, 48 anos, e Erik Breslau, 40 anos, para desvendar os mistérios da hidrovia Tietê-Paraná. Em seis dias de navegação, a dupla saiu do Náutico do Bauru Tênis Clube (BTC), às margens do rio Tietê, e seguiu para Ilha Solteira, na divisa com o Mato Grosso do Sul. Para isso, os aventureiros passaram por cinco eclusas em Bariri, Ibitinga, Promissão e os dois saltos de Avanhandava.

“Inicialmente iríamos até Itapura, mas um professor da Unesp em Ilha Solteira, que já velejou o trajeto contrário, nos convidou e optamos por subir o canal artificial da hidrovia e chegar ao rio Paraná, em Pereira Barreto, e foi uma aventura”, conta Salmen Jr.

Salmen Jr, que também é comerciante, conta que no último dia de viagem foi um dos mais emocionantes. “Tínhamos que atravessar o canal, que demora mais duas horas e já estava anoitecendo. Queríamos acampar antes”. Porém, explica Breslau, o acaso contribuiu para complicar a situação.

“No mesmo dia, houve uma fuga de presos que, segundo nos informaram, eram dois homens que fugiram em um barco branco. Aí a gente chega, não deu cinco minutos para a polícia nos abordar. Até tiramos tudo do barco e explicamos nosso trajeto, perdemos muito tempo. Além disso, não era permitido acampar em Pereira Barreto”. Eles não tiveram dúvida e resolveram arriscar.

“Mesmo conscientes que não era permitido navegar naquele horário, enfrentamos os riscos e atravessamos o canal artificial, uns 15 quilômetros a 5km, na calada da noite”, recorda Salmen Jr.

A embarcação, um veleiro esportivo “day sailer” de 5, 10 metros, é bastante ágil e veloz e recebeu o nome carinhoso de Wai qui Wai, que sugere uma personalidade intrépida. “Ele é mais esportivo que confortável, levamos de tudo (barraca, fogão, colchonete, etc) para acamparmos nas margens do Tietê”, comenta Breslau.

Em números, a viagem dos velejadores bauruenses somou 450 quilômetros, navegados em seis dias. “Navegávamos uma média de oito horas por dia, mas em um dia tivemos a necessidade de ficar quase 16 horas navegando”, lembra Breslau, que também é músico e professor.

A dupla aproveitou a oportunidade para conhecer um pouco mais do rio Tietê e se surpreendeu com a estrutura em suas margens. “Em Buritama, por exemplo, há toda estrutura para quem chega de barco, com combustível, banheiro, lanchonete. Em outras prainhas também fomos muito bem recebidos, como em Iacanga, Sales e Sabino”, acrescenta Salmen Jr.

Momento de tensão

Uma das situações mais arriscadas encontradas pelos velejadores foi a passagem sob o linhão da Cesp. “Quando encontramos pontes, a carta náutica indica a altura máxima e mínima, então você já sabe se há a necessidade de baixar o mastro ou não. No caso do linhão, não. Você olha e perde a noção da altura. Tivemos muito medo”, recorda Salmen Jr.

Eles optaram por atravessar mais próximo à margem, onde o linhão fica mais distante do rio. O designer esportivo da embarcação permite que a navegação também ocorra em áreas mais rasas. “Parecia que tínhamos tudo contra: um linhão, um mastro e a água. Tudo para atrair uma descarga elétrica”, diz Breslau.

Para a realização dessa aventura, a dupla teve o apoio de várias empresas de Bauru como o Bauru Tênis Clube (BTC), Prodel Baterias, Jeribá Bar, Colégio Guedes de Azevedo e Faculdades Integradas de Bauru (FIB).

Agora, a dupla se prepara para concluir a proposta de conhecer a hidrovia Tietê-Paraná. “Já fizemos o Tietê, agora vamos fazer o rio Paraná e estamos buscando patrocinadores”, acrescenta Salmen Jr.

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