Pesca & Lazer

História de Pescador: Encontro animal


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“Seu corpo ainda doía um pouco, mas quase nada, se comparado ao prazer que ainda se fazia sentir no torpor de sua mente... Ele ainda conservava fisicamente as lembranças daquele encontro e lembraria dele, com certeza, até que uma nova casualidade fizesse novamente seus caminhos se cruzarem. Pelo menos havia registrado o encontro e a foto dela agora estava bem guardada para a posteridade.

Fora um encontro animal, memorável, inesquecível.

Ela também ainda sentia dores pelo corpo e principalmente sua boca ainda registrava o gosto amargo que ele deixara. Talvez ele não saiba que ela não teve qualquer prazer, a menos quando se despediram, quiçá para sempre. Além das dores, marcava-lhe a traição, ou melhor, o engodo, a dissimulação e a ilusão que ele lhe apresentara. De que valia um prato tão interessante se as conseqüências seriam de tal sorte azaradas?

Fora um encontro animal, deplorável, para se esquecer nos próximos segundos. Esse desencontro de sentimentos, acerca do mesmo encontro, marca a relação desses dois seres. Prazer, dor e dor sem prazer.

Mas ela, talvez preparada para essa vida, rapidamente esqueceria o fato, não teria na lembrança sequer a imagem daquele que, apesar de seu algoz, vangloriava-se de tê-la deixado ir sem maiores males. E vivia contando para os seus amigos:

- Precisava ver, rapaz. Arremessei junto à ilha, bem no meio da espuma e não é que ela estava lá? Bateu, de primeira, lutou como uma campeã, mas no final entregou-se lindamente, deitando seu corpo junto a mim, totalmente minha. Veja só que anchova linda... soltei, é claro, pena que não tinha amassado as farpas da garatéia, o que acabou fazendo um pequeno ferimento em sua boca, mas não foi nada demais.

Ela ainda não entendia porque aquele peixinho tão lindinho, branquinho de cabeça vermelha que o sujeito jogara para ela não seria o almoço almejado e sim aquele infortúnio. Não entendia ainda como um peixinho tão lindinho, branquinho de cabeça vermelha, pequenininho, teve tanta força para rebocá-la por mais que ela lutasse.

Coisas de um encontro animal, surrealista, inventado”.

Marcio Big Mattos é cineasta, pescador e contador de histórias nos sites www.tbftt.com.br e www.intrepida.com.br

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