Economia & Negócios

Caixa discute crédito imobiliário

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Cerca de 300 pessoas vindas de 71 municípios da região participaram ontem da 1.ª Oficina de Crédito Imobiliário de Bauru e Região, realizada pela Caixa Econômica Federal (CEF). Com o objetivo de fomentar a construção de empreendimentos imobiliários na região, o evento enfocou as opções de financiamento, dando ênfase à habitação popular.

De acordo com o superintendente regional da CEF em Bauru, Geraldo Luiz Machado de Oliveira, a proposta do encontro era buscar soluções criativas para facilitar o acesso à casa própria. “Nós temos um déficit habitacional em torno de 7 milhões de unidades (no País). Existe recurso para minimizar esse déficit. Com o orçamento que temos esse ano (R$ 10,9 bilhões), podemos reduzi-lo em praticamente 10%”, enfatiza.

Na opinião de Fernando Pegorin, membro da diretoria do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), o subsídio oferecido pela CEF às prefeituras (leia mais no texto acima) pode ser a única possibilidade de aquisição da casa própria para pessoas de baixa renda.

“Uma pessoa que ganha R$ 300,00 não tem condições de comprar um imóvel com recursos próprios. Ela teria como opção de financiamento apenas R$ 2 mil. O subsídio propicia a essas pessoas um financiamento de R$ 10 mil a R$ 12 mil”, salienta.

A gerente regional do Secovi-SP, Cláudia Salles, concorda. Segundo ela, o encontro foi uma excelente oportunidade para quem queria obter informações. “O setor imobiliário tem muitas complicações, processos difíceis, caros. A Caixa está desmitificando e simplificando a informação. É o agente facilitador reunindo o interesse e o interessado” observa.

Para o diretor da Regional Centro-Oeste do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de São Paulo (SindusCon-SP), Ralph Ribeiro Júnior, o encontro foi um momento produtivo de interlocução da Caixa com o setor. “E a gente entende que isso tem que ser um processo contínuo. O setor sempre quer ser ouvido, porque somos o termômetro da situação habitacional”, afirma.

Segundo ele, porém, ainda há muito para se fazer. “Enquanto a renda da população estiver baixa desse jeito, fica difícil eliminar o déficit habitacional. Em contrapartida, os juros altos também inviabilizam o financiamento para muitas pessoas. Elas preferem ganhar 1% de rendimentos do banco a investir no mercado, com juros tão altos”, lamenta.

Presente ao evento, o gerente nacional da CEF, Ademir Losekann, destacou a importância da casa própria para a qualidade de vida da população, bem como a importância das parcerias para a concretização desse sonho.

“E temos aqui os principais atores que podem viabilizar esse sonho (...) Isoladamente, nem a Caixa, nem as prefeituras, nem as construtoras conseguem resolver. Nossa intenção é reunir todos para, em conjunto, fazermos acontecer”, destaca.

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Subsídios à região

Durante a 1.ª Oficina de Crédito Imobiliário de Bauru e Região, a Caixa Econômica Federal oficializou contratos de subsídios às prefeituras de duas cidades da região. Em Espírito Santo do Turvo, a parceria permitirá a construção de 20 casas. Em Jaú estão previstas 85 unidades habitacionais.

A prefeita de Espírito Santo do Turvo, Luciana Retz, explica que a CEF repassará ao município R$ 7 mil para cada imóvel e a prefeitura entrará com uma contrapartida de aproximadamente R$ 2 mil. “O projeto é voltado a famílias com renda de até R$ 300,00 e que já têm um terreno. Vamos construir uma casa de 42 metros quadrados com sala, cozinha, banheiro e um quarto”, afirma.

Em Jaú, a verba será aplicada num mutirão nos bairros Padre Augusto Sani e Cila de Lúcio Bauab. A secretária de Habitação da cidade, Alzira Fátima Voltolin, explica que foi feita uma parceria com entidades assistenciais.

A prefeitura dará os terrenos, o Fundo Social de Solidariedade fornecerá os tijolos ecológicos, os beneficiados farão um mutirão para levantar as casas. “Graças a essas parcerias, todas as casas ganharão tintura texturizada e forro de gesso”, incentiva.

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