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Greve nos Correios restringe sedex

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

A greve dos trabalhadores dos Correios, iniciada anteontem em várias regiões do País, trouxe reflexos para Bauru, apesar da rotina dos funcionários estar normalizada no município. A Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) suspendeu temporariamente os serviços de sedex 10, sedex hoje, sedex mundi e disque-coleta. Ainda assim, garante tanto a entrega do sedex comum, quanto das 80 mil cartas, em média, distribuídas todos os dias na cidade.

A distribuição das correspondências, no entanto, não está livre de eventuais atrasos, decorrentes do contexto nacional. O problema não está descartado, apesar dos Correios ter adotado plano de contingência para minimizar os efeitos da paralisação no País. A empresa contratou 2 mil funcionários em caráter temporário, deslocou funcionários de área e unidade e terceirizou o transporte.

As medidas não foram implementadas em Bauru porque a categoria permaneceu em greve no município por apenas 13 horas. Anteontem à tarde, no mesmo dia em que a paralisação foi iniciada, os trabalhadores desistiram do movimento, apontado como ilegal pelo diretor regional dos Correios, Vítor Joppert. Mesmo assim, a retomada das atividades foi sinônimo de trabalho adicional.

Hora-extra

Ontem, os 100 carteiros de Bauru fizeram pelo menos 30 minutos de hora-extra. O período de trabalho excedente só não foi maior porque a separação das correspondências por endereço e ponto de entrega foi adiantada anteontem e o serviço contou com o apoio de funcionários do setor administrativo, acrescenta a assessoria de imprensa.

“O Correios está escravizando há muito tempo, antes da paralisação. Falta funcionário e quando alguém não vai trabalhar por estar em férias ou em licença médica, o serviço é dividido entre os colegas, que retornam (à unidade) após jornada árdua de quatro ou cinco horas na rua. É um trabalho penoso, exploração mesmo”, diz o presidente do Sindicato dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) de Bauru e Região, José Aparecido Gimenes Gandara.

De acordo com ele, a categoria continua em estado de greve, com possibilidade de retomar a paralisação na próxima segunda-feira. Mas se o rumo do movimento permanecer como está, as correspondências que chegarem em Bauru serão distribuídas em tempo normal, sem prejuízo à população, destaca a assessoria de imprensa estatal.

Mas por enquanto, essa possibilidade ainda não preocupa Adriano Timber, gerente de vendas de uma empresa de Bauru que trabalha com artigos de madeira para escritório. Por semana, ele recebe cerca de 50 correspondências e envia, em média, outras 35. A cobrança dos clientes é feita por instituições bancárias.

“Não sei como os bancos fazem, mas não dá para falar já em mudanças. Ainda é cedo para apontar um reflexo direto. Talvez, daqui uma semana, dez dias, os problemas comecem a aparecer. Se tivéssemos de participar de licitação pública ou desejássemos enviar mala-direta, a situação poderia ficar complicada”, conclui Timber.

Reivindicações

Os trabalhadores dos Correios reivindicam aumento real de 20%, além da correção da inflação medida pelo IPCA (5,67%) a partir de agosto e elevação do piso salarial de R$ 448,00 para R$ 931,00. Já a empresa oferece reajuste de 11,9%, mais abono de R$ 600,00.

Diante do impasse, a estatal entrou anteontem com pedido de dissídio junto ao Tribunal Superior do Trabalho (TST).

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