Regional

Investigação começou dentro da empresa

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Iacanga - O assassinato do vigia José Antônio Ticianelli começou a ser desvendado quando os policiais decidiram fazer um levantamento dos possíveis suspeitos. A primeira conclusão foi de que os indícios eram fortes de que o plano havia sido arquitetado por alguém de dentro da empresa. Alguém que sabia que o único horário que o vigia fica sozinho é na madrugada de domingo. Nos outros dias da semana, o entra e sai de veículos é intenso.

Os funcionários da empresa passaram então a ser os principais suspeitos. Analisando a ficha policial daqueles que haviam cometido algum tipo de crime anteriormente, chegou-se a Jorge de Paula Caruso, 19 anos. Quando adolescente, ele foi acusado de ter colocado uma bomba de fabricação caseira dentro do banheiro de uma escola.

O delegado Kléber de Oliveira Granja lembra que a dimensão do estrago causado pela bomba chegou a impressionar. “Se tivesse alguém dentro do banheiro, certamente teria morrido”, disse o policial.

A partir dessa suspeita, o trabalho de investigação procurou por detalhes da vida de Caruso. Descobriu-se que a irmã do suspeito é casada com André Luiz Ruiz, 27 anos, que, no ano passado, teria se envolvido em uma tripla tentativa de homicídio qualificado em Iacanga. Havia inclusive um mandado de prisão temporária contra ele, o que o qualificava como foragido da Justiça.

Por meio de autorização judicial, o delegado conseguiu de uma empresa de telefonia a informação de quem da família Caruso, de Iacanga, havia adquirido um aparelho celular recentemente.

A partir daí, foi solicitada a relação das ligações telefônicas feitas e recebidas pelo telefone de Jorge Caruso. Da 0h40 até as 3h50 daquele domingo, dia da morte do vigia, foram registradas dezenas de ligações, segundo o delegado.

Uma das ligações havia sido feita de Pederneiras por Ruiz, cunhado de Caruso. Os policiais passaram, então, a monitorar as ações de Caruso e da irmã. No domingo passado, eles foram até Pederneiras encontrar com Ruiz e foram seguidos pelos policiais.

No início da semana, uma denúncia anônima ligava Caruso e Ruiz ao assalto que vitimou o vigia. Para o delegado, não havia mais dúvidas de que ambos estavam envolvidos no crime. As investigações continuaram e descobri-se que Ruiz tinha laços estreitos de amizade com Wellington Rodrigues Ferreira de Oliveira, 28 anos, que há pouco mais de dois meses havia deixado o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru, onde cumpriu pena por roubo.

Com essas informações, o delegado solicitou à Justiça de Ibitinga a prisão temporária dos três suspeitos. A ação foi executada simultaneamente, anteontem, com a participação de cerca de 40 policiais. Uma parte ficou em Iacanga, a outra em Bauru e uma terceira em Pederneiras.

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