Em assembléia realizada ontem, os professores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru decidiram encerrar o movimento grevista iniciado no último dia 5. Já os servidores, de braços cruzados desde o dia 1 deste mês, continuam em greve. As informações são do diretor-presidente da Associação dos Docentes da Unesp (Adunesp) seção Bauru, Gilberto Magalhães.
De acordo com ele, o principal motivo que levou a categoria a decidir pelo fim da paralisação foi o “canal de comunicação” que o Fórum das Seis (entidade que congrega os sindicatos de docentes e funcionários da Unesp, USP e Unicamp) conseguiu estabelecer junto ao colégio de líderes da Assembléia Legislativa (AL) de São Paulo.
“Nós avaliamos que as negociações estão avançando bem em São Paulo. A greve foi muito importante, fundamental para termos conseguido chegar neste ponto. Contudo, continuaremos mobilizados para avaliar a necessidade de retomar o movimento a qualquer momento, seja com paralisações ou até mesmo greve”, afirma Magalhães.
Professores e funcionários das três universidades públicas paulistas estão protestando contra o veto do governador Geraldo Alckimin (PSDB) ao aumento de 0,43% do repasse de verbas para a manutenção dessas instituições - Unesp, Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Atualmente, 9,57% do montante recolhido com o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) no Estado é dividido entre as três universidades. Com o aumento, que chegou a ser aprovado e está previsto na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) 2006, o índice subiria para 10%.
“No momento, o Fórum das Seis está tentando uma negociação política na Assembléia Legislativa. O colégio de líderes se reúne toda terça-feira, antes da sessão da AL, e o Fórum está participando dessas reuniões. Se não sair um acordo, serão necessárias 12 horas de sessões extraordinárias para discutir a questão do veto”, observa Magalhães.
Segundo ele, na próxima terça-feira o Fórum das Seis tentará fechar um acordo, durante a reunião com o colégio de líderes da AL, para que não sejam necessárias as 12 horas de discussão. Desta forma, o tema já seguiria para votação por parte dos deputados estaduais. Até o momento, o tempo de discussões já realizadas sobre o assunto soma cerca de duas horas.
O prazo regimental para a elaboração da Lei Orçamentária (LO) é o próximo dia 30. “Estamos correndo contra o tempo para tentar resolver essa questão o mais rápido possível. Nossa idéia é de que eles (os deputados estaduais) mantenham a coerência (na decisão), porque eles já votaram a favor do aumento do repasse de verbas às universidades na LDO 2006”, aponta o presidente do Fórum das Seis, Milton Vieira do Prado Júnior.
Com o fim da greve dos professores na Unesp de Bauru, a partir de segunda-feira os alunos voltam a ter aulas normalmente, segundo Magalhães. “Como os servidores continuam em greve, vão haver prejuízos na área administrativa e no auxílio acadêmico. No setor de limpeza (do câmpus), 20% do pessoal é terceirizado. Mas as aulas recomeçarão normalmente”, afirma.
Está marcada para segunda-feira, às 8h30, uma assembléia dos servidores da Unesp, que avaliará os rumos do movimento. A USP de Bauru não entrou em greve, mas segundo Magalhães, um grupo “se manteve mobilizado” desde o início do movimento da Unesp e participou das manifestações.