Bairros

Educadora vê sociedade em desvantagem

Sérgio Pais
| Tempo de leitura: 2 min

A educadora Rosa Morcelli, 51 anos, moradora na região da Vila Independência e participante dos debates no setor 3 do Plano Diretor, avalia que a falta de prática da participação popular faz com que a sociedade “entre em desvantagem” no processo de elaboração do projeto. Além disso, ela acha que falta qualificação à comunidade. “Os ‘poderosos’ sempre estiveram representados em cursos de capacitação, mas a população mais carente não tem acesso”, nota.

Morcelli diz ainda que a prefeitura também estaria enfraquecida no processo, já que teve recusado um pedido de verbas feito ao Ministério da Cidade para bancar os custos da mobilização - no Estado, apenas três cidades conseguiram o financiamento, entre elas Botucatu e Agudos, segundo a Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan). Apesar das dificuldades, a educadora está com esperanças de “recuperar o tempo perdido”. “A atual equipe da prefeitura é muito bem intencionada e tem o perfil de vencer adversidades”, elogia.

Ela lembra que a mobilização comunitária é fundamental, pois os poderosos já estariam organizados. “Bauru é um grande espaço de especulação imobiliária e quanto mais o interesse do particular estiver em risco, tanto mais eles vão exercer sua capacidade de fazer lobby”, aposta Morcelli. Contra isso, no entanto, ela tem a receita: “Político morre de medo de povo organizado e pensa duas vezes antes de contrariá-lo”, diz.

Neste sentido, Morcelli diz que o Plano Diretor é de competência da população e que os vereadores não devem participar dos debates, a não ser como cidadão morador de uma determinada região. “Deles (vereadores), só quero que aprovem as propostas da comunidade. Se quiserem sapatear no projeto, vamos pedir seus cargos de volta”, ameaça.

Entusiasmo

Os moradores do setor 4 (bairros da região oeste, compreendidos entre a avenida Castelo Branco e a rua Salvador Filardi) são os que estão em estágio mais avançado nos debates, com a realização de diversas reuniões. Na mais recente, realizada na última terça-feira, a sala de aula na Emef Ivan Engler de Almeida foi pequena para abrigar os cerca de 70 participantes.

O líder comunitário do Jardim Vitória, Egídio Gregório de Oliveira, 32 anos, avalia como “muito boas” as reuniões das quais vem participando. “Tudo o que vier para nos ajudar é ótimo”, diz, lembrando que passou “de casa em casa” para convocar a comunidade. “E a maioria veio”, festeja.

A assessora da Secretaria das Administrações Regionais (Sear) Olga Marques, uma das coordenadoras do setor 4, confirma que a mobilização “tem sido maciça”. “As pessoas estão interessadas em saber o que é o Plano Diretor e onde elas se encaixam no processo”, diz.

Apesar de reconhecer que, num primeiro momento, a comunidade quer a solução de seus problemas imediatos (asfalto, iluminação, falta de vaga em escolas e postos de saúde), Marques admite que o verdadeiro “espírito” do Plano Diretor já começa a ser entendido. “A prova é que muitos levantam o problema do desemprego, que está ligado diretamente à questão do desenvolvimento, que deve pautar o projeto”, acredita.

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