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'A luta de classes de Duda Mendonça'


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O tema deste ano da Semana Nacional de Trânsito, que será realizada de 18 a 23 de setembro, é mais do que oportuno. Irá focar a segurança do pedestre. De fato, não são apenas motoristas e passageiros que correm alto risco nas ruas, avenidas e estradas do País. Dados estatísticos demonstram a situação com imensa clareza.

De acordo com o Banco Mundial, 50% das 50 mil pessoas que morrem anualmente no Brasil em acidentes de trânsito são pedestres, ciclistas e motociclistas. Ainda segundo essa instituição, na Europa e nos Estados Unidos o índice de mortes somente de pedestres no trânsito está em 20% em relação ao total. No Oriente Médio, este dado cai para 5,1%. Na América Latina, região na qual o Brasil, com certeza, tem enorme peso em estatísticas desse porte - afinal, o País possui uma das maiores frotas de veículos do mundo -, este índice bate na casa dos 60%. É isto mesmo! Sessenta por cento!

Os dados comprovam o quanto esse grupo de pessoas - para ser mais preciso, integrado por nós, nossos familiares ou pessoas próximas - é desprotegido na via pública. No País, pelas estatísticas aí expostas, pode-se dizer que elas correm um nível tão alto de risco quanto aqueles devidamente acomodados dentro de veículos. Levando-se em conta que a imprudência no trânsito reconhecidamente parte muito mais de motoristas - aí estão incluídos os motociclistas - do que de pedestres, os dados demonstram-se ainda mais preocupantes.

Portanto, tratar do assunto de forma veemente chegou mais do que em boa hora. Porém, chamar a atenção para o risco que este grupo de pessoas que andam por aí, nas calçadas, ou atravessando ruas e avenidas, tem enfrentando, poderá surtir ainda mais efeito se, efetivamente, se adotarem medidas para que os transeuntes circulem melhor no trânsito.

Apenas para dar um exemplo, em muitos países a sinalização de ruas e avenidas tem uma parcela expressiva direcionada a orientar não só motoristas, mas também pedestres. Estas sinalizações vão de placas a demarcações em pavimentos, com materiais antiderrapantes, etc. Aqui no Brasil esta prática não é muito corrente. Estes recursos, até mesmo para quem está dirigindo veículos, são deficientes. A realidade é que projetos nesse campo aqui no País precisam ser desenvolvidos contemplando não só o trânsito de veículos, mas também - e principalmente - a circulação de pedestres nas vias públicas.

Infelizmente, este problema é apenas um existente no âmbito do sistema viário nacional, dentre tantos outros, que tornam tão frágil a vida, constituindo-se em ameaça real à segurança dos cidadãos. Que esta Semana do Trânsito seja muito eficaz no sentido de disseminar a consciência de que, antes de motoristas, ciclistas, pedestres e motoqueiros, somos seres humanos.

A autora, Áurea Rangel, é química, mestre em engenharia de materiais e diretora executiva da Hot Line

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