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Insegurança prevalece e diminui o espírito solidário nas ruas e estradas

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

O cidadão brasileiro tem espírito de solidariedade, mas quando a sua segurança e a de sua família está em risco, o jeito é pisar no acelerador e seguir em frente sem olhar para trás.

É assim que se sente a maioria dos motoristas que diariamente rodam nas rodovias do País. É melhor ficar com sentimento de egoísmo, que logo passa, do que ter de enfrentar uma situação que nem sempre acaba bem.

A auxiliar administrativa Andréia Melanda não oferece carona a ninguém. A exceção fica para vizinhos e conhecidos que estão no ponto de ônibus. “Na estrada, você não sabe quem é a pessoa que vai entrar no seu carro. Tanto pode ser pessoa de bem quanto um bandido”, explica. Ela diz que já teve amigos que passaram por situações de risco.

É o caso do administrador Carlos Alberto Macedo de Farias. Ele perdeu um amigo assassinado por caronistas. O fato ocorreu em outubro de 2002. O médico uruguaio Alberto Néri Fernandez da Costa Porto ofereceu carona a dois militares do Exército Brasileiro que se encontravam, fardados, no trevo de Promissão. Porto desapareceu e só foi encontrado morto.

Os mesmos militares também são acusados de matar o dentista Silvio Luiz Minarelli nas mesmas circunstâncias. “Não costumo mais oferecer carona devido a esse antecedente. Mas essa não é uma questão fechada. São situações de momento que devem ser avaliadas”, pondera Farias. Ele acha que o espírito solidário sempre deve prevalecer com os devidos cuidados para evitar exposição a riscos.

Acostumada a acompanhar o noticiário que relata crimes trágicos envolvendo caronistas, a funcionária pública municipal Vera Regina Agnelli se soma à lista de motoristas que não abrem a porta de seu carro para pessoas estranhas. “Na verdade, nós estamos acuados. A solidariedade é importante, mas importante também é a preservação das nossas vidas. Infelizmente nos dias de hoje, com toda essa violência, é impossível oferecer carona”, diz.

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