As impressões digitais e outras formas de identificação de cadáveres, dentre as quais a arcada dentária, vão ser aposentados para dar lugar à pesquisa de DNA, seguramente o exame mais confiável para revelar, com precisão, a identidade de uma pessoa. A constatação é do médico legista Alberto Briani, também professor da disciplina de medicina legal do curso de direito da Fundação Raul Bauab, de Jaú.
A utilização do DNA em larga escala, porém, dependerá da formação de bancos de dados em nível nacional. Segundo ele, a praticidade na coleta do material é o fator que endossará a transformação do DNA em exame de identificação de massa.
“Não será preciso coleta de sangue. Basta uma simples coleta de saliva. Na saliva há células da mucosa bucal suficientes para determinar o DNA. Também poderá ser uma simples raspada de pele ou um fio de cabelo. Não haverá a necessidade de invadir o corpo para retirada de sangueâ€, explica.
Briani afirma que ainda não é possível precisar o tempo que o País levará para adotar o sistema. “Esse futuro dependerá da velocidade que as pessoas registrarão seus DNAs. Para se ter uma idéia, os Estados Unidos ainda estão engatinhando na adoção do sistema. Isso requer a conscientização da população e altos investimentos financeirosâ€, comenta.
Nos Estados Unidos, a população carcerária é a primeira a compor os bancos de dados de DNA. O médico legista diz que essa técnica é infalível. â€œÉ uma perfeição. Mas para a identificação de cadáveres ainda não é utilizada. Somente para exclusão ou confirmação de paternidade.â€
Para Briani, a criminalística é uma ciência multidisciplinar em constante evolução. “A criminalística necessita da ciência jurídica, da psicologia, filosofia, medicina legal etc. A criminologia estuda o crime, o criminoso e a criminalidade. O crime como fato, o criminoso como ser humano - e aí entra a psicologia, o comportamento - e a criminalidade, que aponta o que leva uma pessoa a ser criminosa. É o meio ou é a biologia? É uma discussão milenarâ€, observa.