Desde o ano passado, a variedade de materiais vêm ditando moda na linha de acessórios. Desta vez, o ecletismo se inspira na ecologia e promete atingir o ápice da criatividade. Elementos da natureza, como sementes, folhas, pedras e conchas, além de embalagens, plásticos e tiras de papel estão sendo usados como base para a produção de belas e exóticas bijuterias.
“A idéia é aproveitar da melhor forma possível aquilo que seria resíduo, de preferência da natureza, e gerar renda com isso”, explica a bióloga Teresa Cristina Aragão Domingos Mastrangelli, agente de atividades sociais do Serviço Social da Indústria (Sesi), que este mês promove um curso para ensinar a produzir as bijuterias ecológicas.
Assim, um simples folheto de propaganda ou um página colorida de revista pode se transformar em contas ou pingentes de um colar, pulseira ou bracelete. Basta seguir algumas técnicas e abusar da criatividade.
Preservar o meio ambiente, evitar o consumo exacerbado e gerar renda estão entre as principais vantagens desse tipo de trabalho, explica Mastrangelli. “As pessoas não estarão consumindo apenas o que é moda, mas também economizando, uma vez que o material utilizado vem da natureza e é do mínimo custo possível”, diz.
A dona de casa Maria Helena Pinto se entusiasma com a possibilidade de fabricar produtos diferenciados a baixo custo. “Aproveito coisas que às vezes jogava fora. Já tenho até encomendas de brincos, colares e pulseiras”, comemora. A aposentada Mônica Beck concorda. “A vantagem é muito grande porque podemos encontrar a maioria dos materiais na própria natureza”, observa.
O aspecto ecológico da produção também agrada a professora Ruth Monteiro. “Acho muito interessante, mas não pretendo vender. Vou fabricar para uso pessoal e também para presentear amigos”, diz.
Natural
As bijuterias ecológicas não poderiam encontrar espaço mais apropriado do que o atual cenário rústico que invade o mundo da moda. Isso porque os acessórios “naturais” caem como uma luva no estilo orgânico das saias gipsy (cigana), batas, blusinhas estruturadas e sandálias plataforma com salto em cortiça, hits da coleção primavera/verão.
Na linha dos acessórios ecológicos, destacam-se os colares feitos com sementes de árvores brasileiras, na maioria das vezes encontradas caídas no chão. Dispostas sozinhas num cordão encerado ou em fio de silicone, se transformam em acessórios básicos para o dia-a-dia. Se misturadas a pequenas contas ou cristais industrializadas, ganham um ar de bijuteria exótica e conferem um ar descolado à produção.
O mesmo vale para os brincos, pulseiras e braceletes fabricados com sementes, peças em madeira ou contas de papel. Em cores neutras, como as diversas tonalidades de marrom e bege, combinam com qualquer tom de roupa ou sapatos. “Há pessoas que preferem tingir as sementes de colorido e também fica interessante”, aponta Mastrangelli.
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Embalagem
Além de criar bijuterias rústicas e ecológicas, é possível ainda fabricar embalagens de presente utilizando materiais descartáveis e elementos da natureza. A bióloga e agente de atividades sociais do Serviço Social da Indústria (Sesi) Teresa Cristina Aragão Domingos Mastrangelli ensina a produzir uma caixinha diferente para envolver brincos, pulseiras e colares.
O primeiro passo, explica ela, é separar um rolo de papel higiênico e um coador de café usado, além de sementes, folhas e conchas para decoração. “Não é preciso desmontar o rolinho, apenas marcar ou vincar as bases com a ajuda de um copo, por exemplo. Depois, é só retirar um pouco do excesso de café do filtro, rasgar o coador com as mãos e colar na caixa com a ajuda de um pincel”, detalha.
Para dar um acabamento rústico, a dica é colar uma ou duas folhas ou ainda uma concha no centro da embalagem, sugere Mastrangelli.