Figurando entre os títulos mais vendidos no Brasil, os livros de auto-ajuda buscam motivar as pessoas a alcançar o sucesso pessoal e profissional por meio de injeções de otimismo, criatividade e auto-confiança. O objetivo em nada difere das palestras motivacionais, eventos cada vez mais em alta no mercado empresarial e que “pipocam” em diferentes cidades do País.
“A pressão do trabalho é muito grande. Todos precisamos de um ‘gás’ extra para nos impulsionar a vencer os desafios do dia-a-dia; e essa energia necessária é recarregada nas palestras motivacionais”, aponta o palestrante bauruense Diego Berro, 23 anos.
Na estrada há cinco anos, ele é considerado o palestrante motivacional mais jovem do Brasil segundo o site de recordes RankBrasil. Nascido em 1982, Berro iniciou cedo sua trajetória pessoal e profissional. Casado com Caroline Cristina Ritter e pai de Matheus Ritter Berro, 2 anos, é formado em administração de empresas na FAE Business School em Curitiba, Paraná.
Seu primeiro contato com o público foi na formatura do ensino fundamental, quando fez uma oratória para 400 pessoas. Aos 18 anos, foi morar em São Paulo e assim começou a ministrar palestras em empresas, por intermédio de um projeto universitário. Os primeiros eventos foram realizados em 2000, na cidade portuária de Paranaguá, Paraná. Esse foi apenas o pontapé de sua trajetória, que é tema da entrevista se seguir.
Jornal da Cidade - Você foi considerado o palestrante profissional mais novo do Brasil pelo Livro dos Recordes. Ao que você credita esse sucesso?
Diego Berro - Sem dúvida, esse sucesso teve seu alicerce quando entrei para o fascinante mundo das vendas. Participei da melhor escola de vendas que existe. Atuei como vendedor de literaturas de casa em casa, por meio do que fui campeão de vendas em todas as oportunidades. Aprendi a trabalhar duro, ser persistente e acreditar nos meus sonhos. E em seguida fui líder e coordenador de equipes de vendas. Nessa fase “aprendi a ensinar”, coordenava um grupo de mais de 100 universitários e realizava treinamentos de vendas, passando assim a experiência que tinha adquirido na prática. Dessa forma, diariamente estava realizando palestras de motivação. Grande parte do conhecimento que possuo também foi adquirido viajando pelo Brasil, conversando e aprendendo com diversos empresários e trabalhadores de vários setores, segmentos e formações, o que me proporcionou uma visão mais real do que é ser empresário e ter empresa, ser líder e ter um cargo de comando ou ser trabalhador e ter emprego. A prática de vivenciar diversas experiências e presenciar fatos no dia-a-dia da vida empresarial brasileira enriquece e atualiza a qualidade das informações que hoje são divididas com empresários e trabalhadores brasileiros, através de meus seminários e treinamentos. Com isso procuro trazer na força de minha comunicação a certeza e a convicção de um prático. Comprovando que a experiência é, sem dúvida, a melhor fonte de ensinamentos. Embora seja novo, tive a experiência necessária para iniciar minha carreira com um considerável sucesso.
JC - Quando descobriu o gosto por falar em público?
Berro - Sempre fui muito comunicativo e extrovertido, participava de apresentações em público na minha escola e na minha igreja. Perdi cedo o “friozinho na barriga”. A primeira vez que falei para um grande público foi aos 13 anos, quando fiz uma oratória para umas 400 pessoas em minha formatura de ensino fundamental. Mas realmente o gosto de falar em público se manifestou assim que comecei a realizar minhas primeiras palestras, há 5 anos.
JC - Quantas palestras você já realizou até agora?
Berro - Ministrei mais de 600 palestras em empresas, universidades, prefeituras e órgãos públicos, tendo percorrido mais de 50 cidades diferentes nos estados de São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso. Realizei palestras em empresas como AmBev, Perdigão, construtora Norberto Odebrecht, Cargill, Mosaic, Copel, Elêge Alimentos, Bs Colway Pneus, Toalhas São Carlos, John Deere, TI Group Automotive Systems, entre outras. Em Bauru realizei cerca de 40 palestras. Em 2002, por exemplo, ministrei uma série de 12 palestras no Frigorífico Vangélio Mondelli, juntamente com o palestrante Fábio Silveira.
JC - Qual é o objetivo de suas palestras motivacionais?
Berro - O objetivo de cada palestra ou seminário é fazer com que os auditórios se envolvam com o conteúdo e a didática das palestras, provocando nas pessoas a iniciativa, o comprometimento, a vontade de transformar potencial em performance e despertar o desejo de sonhar, pois tudo começa por aí. Gosto muito desse pensamento: “O sonho acorda seu desejo e pode colocá-lo no caminho que o levará a tornar-se a pessoa que você quer ser”. Temos de sonhar alto e, mais do que isso, temos de ser realizadores de sonhos. Para isso procuramos mostrar nas palestras a importância de ser criativo para produzir mais com menos, de ser comprometido com as metas dentro da empresa, conscientizamos sobre mudanças de hábitos e atitudes, despertamos o espírito empreendedor ou intraempreendedor, no caso de funcionários de empresas, estimulamos o aumento de auto-estima e autoconfiança dos participantes para que eles vençam os desafios da nova era econômica. Procuramos, enfim, demonstrar de forma dinâmica, com ilustrações e exemplos de pessoas e empresas de sucesso, como alcançar um desempenho máximo e ser um profissional com perfil diferenciado no mercado de trabalho.
JC - E em relação aos temas enfocados nesses encontros? Quais são os preferidos pelo público?
Berro - Sou palestrante nas áreas de motivação e qualidade de vida. As palestras de qualidade de vida são também bastante requisitadas, uma vez que as organizações têm consciência de que indivíduos sedentários, obesos, estressados e fumantes custam muito mais do que pessoas ativas com estilo de vida adequado, pois elas faltam mais ao trabalho, usam o sistema médico com maior freqüência e produzem menos. Essa é a razão pelas quais muitos empresários começam a dirigir seus investimentos para um programa de qualidade de vida como fator de produção. Os temas mais requisitadas são autoconfiança, criatividade, administração financeira da família, estresse, alimentação saudável, a cura pela natureza, tabagismo e alcoolismo.
JC - Existe um treinamento específico para se tornar um palestrante motivacional?
Berro - Creio que treinamento específico não, embora existam bons cursos de oratória e desinibição. Em primeiro lugar é importante o conhecimento acadêmico do qual estou em busca diariamente; entretanto, o maior e melhor treinamento é a prática. Ter tido uma experiência profissional como líder, vendedor e empresário de sucesso é imprescindível para ser um palestrante de sucesso. Ter experiência na prática é requisito básico para conseguir transmitir com segurança o assunto e ser convincente, passar verdade ao auditório e alcançar os resultados esperados.
JC - Como você se aperfeiçoa?
Berro - Estou cursando administração de empresas na escola de negócios FAE Business School, em Curitiba, Paraná. Troco idéias com palestrantes conhecidos, leio muitos livros e como realizo uma média de três palestras por semana procuro ser autocrítico no final de cada uma, em busca da excelência. Além disso, continuo percorrendo o Brasil, onde ouço diretamente da boca dos empresários os reais problemas que as empresas enfrentam no dia-a-dia. Isso, sem dúvida, enriquece e atualiza a qualidade das informações que transmito nas palestras.
JC - Como está o mercado para a área de comunicação verbal?
Berro - Como em todas as áreas existem muitos profissionais bons e ruins. Para ter destaque num mercado de visibilidade e prestígio como esse é preciso buscar a excelência. Embora seja novo, estou tendo certo destaque no cenário nacional, pois venho trabalhando e estudando dia e noite para ser reconhecido e alcançar meus objetivos. Tudo é conseqüência do trabalho. Isso serve para todas as pessoas e todas profissões. Para ocupar as melhores vagas é preciso ser o melhor e, portanto, a atualização deve ser constante.
JC - Em sua opinião, por que esses eventos atraem um público expressivo?
Berro - Nós vivemos em um mundo altamente competitivo, cercado por um elevado grau de exigência e uma pressão do mercado muito grande. As pessoas estão buscando a preparação necessária para se antecipar às mudanças constantes e se adaptar a elas. Todos precisamos de um “gás” extra para nos impulsionar a vencer os desafios do dia-a-dia, e essa energia necessária sempre é recarregada nas palestras motivacionais.
JC - Para algumas pessoas, os eventos de comunicação verbal são considerados palestras/shows devido ao uso de brincadeiras e material visual. Qual sua opinião sobre isso?
Berro - Existem muitos palestrantes com um perfil mais sério e compenetrado, muitos são profissionais altamente competentes e preparados. No entanto, é imprescindível sair do maçante e cansativo. Eu admiro os palestrantes que transmitem o assunto de forma descontraída e didática. Nas minhas palestras procuro interagir com o público, realizar dinâmicas, utilizar material visual para ilustrar, músicas motivacionais, contar histórias e abusar da descontração. Tudo isso só vem a contribuir para que as pessoas se lembrem dos pontos discutidos com maior facilidade e, como conseqüência, provoque um resultado mais eficaz.
JC - Existe alguma relação das palestras motivacionais e os livros de auto-ajuda?
Berro - Ambos têm o objetivo de motivar as pessoas para o sucesso, seja ele profissional ou pessoal. A diferença é que nas palestras o assunto é mostrado de forma direta e presencial, possibilitando, entre outras coisas, uma emoção maior na transmissão das mensagens e a possibilidade de esclarecimento de dúvidas, coisa que os livros de auto-ajuda não proporcionam.
JC - O que você está fazendo atualmente? Está desenvolvendo algum projeto?
Berro - Tenho realizado palestras motivacionais em empresas e universidades por todo Brasil e, paralelamente, participo de um projeto na Universidade Adventista de São Paulo (Unasp) e no Serviço Educacional Lar e Saúde (Sels) com o palestrante Raphael de Oliveira Lima. Esse projeto é realizado internacionalmente pela segunda maior rede educacional do mundo e visa a integração universidade-empresa e o bem-estar social, familiar e melhoria da qualidade de vida da população.
JC - Com uma agenda cheia, sobra tempo para o lazer e para a família? O que gosta de fazer nos momentos de folga?
Berro - Gosto de ler, estudar, navegar na Internet, praticar esportes, passear pelos maravilhosos parques de Curitiba com minha família e brincar com meu filho.
JC - O que está lendo atualmente?
Berro - “Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes” de Stephen Covey, “O Código da Vinci”, de Dan Brown, e “O Monge e o Executivo”, de James Hunter.