Economia & Negócios

Desemprego incha concurso da Câmara

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

O concurso para preenchimento de cinco vagas na Câmara Municipal de Bauru, realizado ontem de manhã, exigia apenas o nível médio de escolaridade. Mas encontrar candidatos com nível superior completo nos locais de prova era uma das tarefas mais fáceis. São três vagas para assistente legislativo 1 e duas para recepcionista.

A reportagem do Jornal da Cidade conversou com alguns deles e todos foram unânimes em apontar o desemprego como o grande responsável por essa corrida desesperada atrás de um cargo de nível médio. A estabilidade de emprego oferecida pelo serviço público vem logo a seguir como um dos principais atrativos pelo concurso.

“A falta de emprego é o que mais atrai, mas a estabilidade também ajuda bastante (no interesse dos candidatos)”, declarou Dulce Aparecida Bertoti, 42 anos, formada em direito.

Questionada se esse era seu primeiro concurso, foi taxativa. “Imagina. É o primeiro, talvez, do mês de setembro.” Na avaliação dela, para um profissional, de forma geral, e um advogado, particularmente falando, conseguir se estabelecer em sua área de atuação é preciso um respaldo financeiro. E isso nem sempre é possível. “Infelizmente, para conquistar um espaço é preciso respaldo financeiro. Não é todo mundo que tem”, lamentou Dulce, que lembrou ainda a dificuldade de concorrer com os profissionais que já estão bem estabelecidos em sua área.

Por esses motivos, ela não pensou duas vezes em tentar uma das três vagas oferecidas pela Câmara para assistente legislativo 1. Afinal de contas, “o salário não está tão baixo”. A remuneração está em R$ 1.285,00. Mas para conseguir uma vaga o esforço será grande. São apenas três vagas e 3.200 candidatos. A situação é ainda pior para quem quer uma das duas vagas de recepcionista. Nada menos do que 3.800 pessoas se inscreveram para o cargo, o que dá uma média de 1.900 candidatos por vaga. O salário inicial para recepcionista é de R$ 890,00.

Na opinião de Dulce, o fato de não ter sido cobrada nenhuma taxa para a participação no concurso não influenciou na quantidade de inscritos. Aline Pires, 23 anos, também formada em direito, discorda. “Com certeza, a não-cobrança da taxa influenciou (na procura pelo concurso)”, afirmou. Pode ter influenciado os outros. Mas não ela. “Se tivesse (taxa) faria do mesmo jeito. Acredito que a concorrência seria menor.”

Alex Ricci, 27 anos, outro advogado, disse pouco antes da prova que acreditava na hipótese de muitos candidatos não estarem tão bem preparados para o concurso. Na opinião dele, muitos podem ter feito a inscrição apenas para tentar a sorte. Se não passar pelo menos não perderam dinheiro.

“Eu também acredito que muitos estão despreparados. Inclusive eu”, revelou Ana Paula Zanata, 23 anos, formada em administração. “Preciso me esforçar mais”, reconhece ela, que se prepara também para o concurso de oficial de Justiça.

“Eu não me importo se (o concurso) exige nível superior ou não. Procuro estabilidade (no emprego). A iniciativa privada não oferece isso”, comentou.

A estudante de direito Cláudia Imperador Fabiano, 24 anos, também apontou a estabilidade como uma conquista importante. Embora tenha prestado vários outros concursos, o de ontem foi o primeiro na esfera municipal. Os anteriores foram para a Polícia Federal, Polícia Rodoviária e Polícia Civil.

Por outro lado a estudante de direito, Cláudia Belisário, 18 anos, era uma das debutantes do dia. â€œÉ o meu primeiro concurso”, dizia ansiosa, minutos antes de entrar na Escola Estadual Professor Cristino Cabral, um dos locais da prova.

Apesar de estreante, o número de concorrentes não intimidou Cláudia. Mas nem todos os candidatos pensavam da mesma forma. â€œÉ assustador”, dizia Daniele Martins Vicente Portela, 23 anos, outra estudante de direito. “Mas vamos tentar. Se der certo, ótimo. Se não der, vou continuar tentando”, afirmou.

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Muitos desistiram

Além da Escola Estadual Professor Cristino Cabral, os 3,2 mil candidatos a assistente legislativo 1 foram distribuídos também em salas de aulas da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Já os 3,8 mil concorrentes ao cargo de recepcionista fizeram a prova na Instituição Toledo de Ensino (ITE). A prova contou com questões de língua portuguesa, matemática, noções de história do Brasil, geografia, história de Bauru e conhecimentos gerais/atualidades.

Na opinião de Primo Mangialardo, vereador e um dos observadores do concurso presentes na escola Cristino Cabral, a forte concorrência deve ter assustado os concorrentes. Segundo ele, essa era uma das justificativas mais prováveis para a desistência de muitos candidatos ontem.

Cada sala foi preparada para receber 40 inscritos. Em praticamente todas, havia carteiras vazias. Em algumas, apenas a metade dos lugares foram ocupados. Embora não houvesse números oficiais para comprovar, era visível a falta de muitos candidatos.

O último concurso realizado pela Câmara Municipal havia sido há cerca de quatro anos. Na ocasião, 700 pessoas disputaram seis vagas.

O gabarito da prova de ontem deverá ser divulgado no dia 1 de outubro.

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