O paulista não conhece sua história, seja ele do Interior ou da Capital. Esse foi o principal motivo para que a socióloga Maria Alice Setubal, presidente do Centro de Estudos e Pesquisa em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), desse início ao projeto “Terra Paulista - Histórias, Arte, Costumesâ€. A iniciativa chega amanhã ao final de sua primeira fase, com a abertura de uma grande exposição na unidade Pompéia do Serviço Social do Comércio (Sesc), na Capital.
O projeto é composto de três livros de história, publicados em novembro do ano passado pelo Cenpec e Imprensa Oficial, 12 documentários, um portal na Internet (www.terrapaulista.org.br) e publicações didáticas. A exposição agrega todos os elementos, com a diversidade de linguagens como sua principal característica.
De acordo com a assessoria de imprensa do projeto, a mostra, concebida por Elena Grosbaum e Ilana Goldstein, conta com criações cenográficas, arte digital, maquetes, quadrinhos, reproduções de pinturas, objetos históricos, mapas, documentos e fotografias, com destaque especial para o Interior do Estado. Nessa primeira fase, o “Terra Paulista†retrata as regiões do Vale do Médio Tietê, Vale do Paraíba e oeste paulista, partindo do desenvolvimento histórico e econômico do Estado.
Segundo Maria Alice, a região de Bauru é explorada pelo projeto em seu contexto geral, porém, ainda não foi retratada em suas especificidades. “Estamos falando da história, do desbravamento e da abertura das fronteiras. Especificamente, essa região será objeto da próxima etapa, a Noroeste e Alta Sorocabana, mais o Vale do Ribeira. Ainda não nos aprofundamos e agora vamos viabilizar a continuação do projeto para o ano que vemâ€, revela a coordenadora, em entrevista por telefone ao JC Cultura.
A exposição é composta por seis módulos, relacionados entre si por passagens ou túneis. O primeiro (“Quem é o Paulista?â€) e o último (“Permanênciasâ€) abordam questões conceituais, enquanto os outros sucedem-se de maneira didática e cronológica, informa a assessoria de imprensa.
Batizado de “O Primeiro Encontroâ€, o segundo módulo destaca a presença indígena do Brasil, no momento do descobrimento, e sua influência na cultura ao longo do tempo. Já “Movimentos†conta com canoas que serviram às monções e pouso dos tropeiros, apresentados em tamanho real, e explora o mito do Bandeirante, mostrando seu dia-a-dia nas viagens, se adaptando ao novo mundo inexplorado.
“Fazendas†e “Cidades do Café†retratam por painéis, maquetes e elementos cenográficos o desenvolvimento do Estado da instalação das culturas no Interior ao século 20, introduzindo o modo de vida urbano dos paulistas. A exposição é finalizada com objetos, desenhos e representações populares do patrimônio cultural de São Paulo, que permanecem até os dias atuais como tradição da população.
Do início
Maria Alice relembra que o projeto surgiu em 2003, quando ela se mudou para Itu a fim de cuidar de um hotel fazenda montado em uma propriedade do século 18. “Começou da minha experiência pessoal. Comecei a me interessar pela história da fazenda, relacionando com a história da cidade e percebi que as pessoas têm pouco conhecimento do tema. Decidimos montar o projeto, com uma equipe de historiadores, antropólogos, sociólogos, e ele foi se desmembrandoâ€, comenta.
A coordenadora do “Terra Paulista†ressalta algumas surpresas encontradas no desenvolvimento, como o desconhecimento da população em geral das influências indígenas nos paulistas. “Todos os paulistas da gema provavelmente têm, em sua ascendência, uma miscigenação indígena, o que é muito forte nos traços, na comida e nas tradições, mas não se percebeâ€, aponta.
Ela observa também o papel das mulheres de São Paulo na história do Estado. “As mulheres sempre ficaram muito sozinhas, desde os bandeirantes que iam viajar aos fazendeiros e colonos. Muitas mulheres eram arrimo de família, algumas tocavam fazendas de 300 escravos sozinhas. É uma característica muito interessanteâ€, finaliza.
• Serviço
Exposição “Terra Paulista - Histórias, Arte, Costumes†no Sesc Pompéia (rua Clélia, 93), de terça a sábado, das 9h30 às 20h30. Domingos e feriados, das 9h30 às 19h30. Informações: (11) 3871-7700.