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Branemark atenderá 80% de graça

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

Pessoas vítimas de mutilações pelo corpo provocadas por acidentes ou doenças como câncer e má-formação serão atendidas, em breve, gratuitamente pelo Instituto Branemark de Bauru. A instituição especializada na aplicação da técnica de unir ossos com parafuso de titânio começará a atender na próxima segunda-feira.

O responsável pela área de prótese do Branemark, o odontologista Carlos Eduardo Francischone, explica que a lei municipal (5.174 de agosto de 2004) que definiu a doação da área onde foi construído o prédio da entidade, que é filantrópica, prevê que 80% dos atendimentos sejam efetuados gratuitamente.

“A preferência mesmo é para pacientes de baixa renda. Os outros 20%, tendo condições de pagar, nós atenderemos também”, frisa. Ele acrescenta que o instituto, quando estiver em completo funcionamento, fará 20 cirurgias por mês. A previsão é que os procedimentos comecem a partir de outubro, após a triagem dos pacientes.

A triagem socieconômica será feita por assistentes sociais do instituto, após uma minuciosa investigação para avaliar se a deficiência do paciente permite o uso da técnica de recuperação aplicada pela instituição. Conforme Francischone, posteriormente poderá ser fechado um convênio com atendimento pelo Serviço Único de Saúde (SUS). “Isso (convênio SUS) será uma coisa que a gente vai negociar futuramente.”

Ontem, o professor sueco Per-Ingvar Branemark apresentou à imprensa as instalações do instituto. Ele contou que desenvolve a técnica da osseointegração desde 1965. O ortopedista sueco não estima quantas pessoas já reabilitou com o uso da técnica. No entanto, ele relembra que o primeiro paciente que se beneficiou com a técnica foi mutilado na região do rosto e perdeu a audição em um acidente de carro em que bateu a cabeça no vidro. “Hoje, ele está bem”, comemora.

Ele explica que as atividades do instituto serão mantidas, inicialmente, por doações. “Algumas doações internacionais já obtivemos, o que nos dá um resguardo para que se possa iniciar o atendimento de pacientes. Depois, iremos entrar em contato com as autoridades do Município, do Estado e da União para ver as possibilidades de acordos para que haja verbas para complementar o atendimento”, explica.

A técnica de reabilitação é conhecida como osseointegração e foi desenvolvida há 40 anos pelo professor. A demanda brasileira por tratamento com a técnica tanto na área médica quanto odontológica é grande.

Segundo Francischone, em Bauru, com a participação do professor Branemark, já foram recuperados cerca de 100 pacientes mutilados nos últimos 14 anos. Já com implantes dentários foram recuperados, segundo Francischone, mais 30 mil pessoas. Branemark começou a tratar mutilados e fissurados em Bauru no Hospital de Reabilitação de Anomalias Crânio-Faciais (Centrinho da USP) e depois na Universidade do Sagrado Coração (USC), onde continua a atuar.

Na fase de implantação, o odontologista explica que a entidade iniciará oferecendo implantes dentários e, na seqüência, começarão as cirurgias de mutilados e traumatizados.

O instituto dispõe de uma equipe de especialistas na área odontológica, médica e paramédica. Francischone destaca que as várias especialidades na área médica e odontológica vão atuar em conjunto.

O prédio construído em uma área de 1.100 metros quadrados, onde funcionou o Lanchódromo, abriga, em dois andares, uma estrutura completa. Dispõe de centro cirúrgico, enfermaria, pós-operatório, consultórios individuais e clínica odontológica. Além disso, há biblioteca e um auditório. Francischone conta que foram investidos pela Fundação Branemark, com sede na Suécia, entre R$ 3 a R$ 4 milhões no empreendimento.

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