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R$ 2 milhões somem da PF do Rio

Por José Messias Xavier | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Rio - O equivalente a mais de R$ 2 milhões em euros e dólares - apreendidos durante a Operação Caravela, que desarticulou uma milionária quadrilha de traficantes internacionais - foram furtados da sala-forte da Superintendência da Polícia Federal (PF) do Rio de Janeiro, com suspeita de participação de integrantes da própria instituição no crime.

Pelo menos 59 policiais, entre eles cinco delegados e cinco escrivães, foram afastados temporariamente e estão sendo interrogados sobre o furto, que ocorreu entre a primeira hora de domingo e a manhã de ontem, segundo as investigações.

Os policiais que respondem a sindicância interna são as duas equipes da delegacia de dia, que estavam no plantão no fim de semana, formadas por dois delegados, dois escrivães e 18 agentes, e três delegados, três escrivães e 31 agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE). A DRE fez o registro das apreensões do dinheiro e de 1,6 tonelada de cocaína da quadrilha. “Esse crime é a prova do poder de infiltração da quadrilha que desarticulamos. Agora vamos investigar para dentro esse fato lamentável em um momento importante para a Polícia Federal”, disse o delegado Getúlio Bezerra, diretor de Combate ao Crime Organizado da PF, levantando suspeitas sobre a participação de agentes no furto, que teriam sido cooptados pela quadrilha desarticulada para praticar o crime.

O dinheiro estava dividido em 677.230 euros, US$ 63.204 e R$ 21.905,00. As cédulas estavam na sala-forte da PF do Rio, que fica ao lado da DRE, onde os ladrões arrombaram duas portas e o armário dos escrivão-chefe do cartório. Lá, encontraram a chave que abre a sala-forte.

Antes de pegar a chave, os ladrões mexeram no inquérito policial, procurando localizar onde estava o dinheiro dentro da sala-forte, que contêm outras apreensões feitas por delegacias da PF. Os ladrões saíram, deram a volta pelo corredor e entraram na sala-forte, indo diretamente à prateleira onde estava o dinheiro, que foi apreendido quinta-feira na cobertura de luxo, na Barra da Tijuca, do chefe da quadrilha, o português Antônio dos Santos Damaso.

“Eles não roubaram mais nada. Inclusive havia outros valores na sala-forte, mas não tocaram em nada”, disse o superintendente em exercício da PF do Rio, Roberto Prel. Peritos da PF estão analisando as imagens de oito câmeras de vídeo, que ficam espalhadas pelos andares da superintendência do órgão no Rio - três estão em bonecos (semelhantes a manequins) de policiais federais e de um cão, no primeiro lance de escadas da sede da PF, na guarita externa e na sala do superintendente. No entanto, segundo Roberto Prel, não há câmeras na DRE e no corredor que dá acesso à sala-forte, que fica no quarto andar da sede do órgão.

Investigadores federais fizeram cópias do dinheiro apreendido. Esse material será enviado para órgãos que rastreiam crimes financeiros nacionais e internacionais, na expectativa de que alguma nota furtada entre em circulação e sua origem possa ser rastreada. “Há notas de 500 euros, o que é incomum para padrões brasileiros. É possível rastrear sua movimentação assim que elas entrem em circulação no mercado”, diz o delegado Ronaldo Urbano, coordenador Geral de Polícia de Repressão a Entorpecentes.

Esse foi o terceiro furto de dinheiro apreendido em toda a história da PF. O primeiro ocorreu no início dos anos 90, quando ladrões levaram US$ 80 mil da PF em Manaus. O outro foi há um ano, com o furto de R$ 40 mil da PF de Belo Horizonte.

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