São Paulo - O garoto Fernando Silva Marques, 4 anos, caiu em um bueiro no canteiro central da avenida Inajar de Souza, na Freguesia do Ó (zona norte de SP), anteontem à tarde. Até as 18h30 de ontem, ele não havia sido localizado. Fernando estava com a mãe, a tia, uma irmã e uma prima. Eles tinham ido a um chá de bebê nas imediações e, por volta das 18h, voltavam para a casa dos avós maternos de Fernando, situada a cerca de 700 metros do bueiro. Ao atravessarem a avenida, na altura do número 2.800, o garoto foi brincar com a prima no canteiro central da via e caiu no vão, que media 20 centímetros e estava parcialmente tampado por duas pedras. Ele dá acesso ao córrego Cabuçu de Baixo, que passa sob a avenida Inajar de Souza.
Segundo a vendedora Luciana Santos, 29 anos, tia de Fernando, várias pessoas presenciaram o acidente, mas não houve tempo de evitá-lo. Os bombeiros chegaram logo depois, iniciando as buscas. Segundo eles, o córrego segue por quatro galerias ao longo da avenida, que tem cerca de 5,5 km de extensão. “É um labirinto”, resumiu o coronel João dos Santos de Souza, comandante do 2.º subgrupamento do Corpo de Bombeiros e responsável pelo resgate. “É uma operação complexa. Lá embaixo (nas galerias) está cheio de lixo, sofá, cachorro morto, pneu. E os soldados correm risco.”
Segundo o coronel, a busca foi interrompida durante uma hora, na madrugada de ontem, porque a água do córrego subiu muito - “um metro em cinco minutos” -, devido à chuva. “É perigoso, um bombeiro pode ser arrastado.”
Cerca de 40 bombeiros e 15 viaturas participam das buscas. A ação deles chega à ponte da Freguesia, onde o córrego deságua no Tietê, a cerca de 1,5 quilômetro do bueiro onde Fernando caiu. Segundo os bombeiros, em casos como esse, o socorro é eficiente quando a vítima é encontrada até duas horas depois da queda. Mas as buscas vão continuar até que Fernando seja localizado.
Ontem de manhã, funcionários da Monte Azul, empresa contratada pela prefeitura para fazer a conservação da via, começaram a tapar os buracos. A reportagem constatou que havia pelo menos mais dois, próximos daqueles onde o menino caiu. O taxista Manuel Ferreira, 53 anos, que mora vizinho ao local do acidente, acusava a prefeitura de descaso, ontem: “Está cheio de creches e escolas por aqui. Esses buracos sempre ficaram abertos. Tem que acontecer uma coisa dessas para tomarem providência”, reclamava.
Segundo a subprefeitura da Casa Verde, há pelo menos 50 janelas de respiro e cem bocas-de-lobo - duas espécies de bueiro - ao longo da Inajar de Souza. Em 2001, um garoto caiu no córrego e foi resgatado com vida.