Política

Conselho sugere tarifa de R$ 1,60

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 5 min

O prefeito Tuga Angerami (PDT) receberá, ainda hoje, decisão do Conselho de Usuários do Transporte Coletivo Urbano aprovando a elevação da tarifa comum no setor dos atuais R$ 1,50 para R$ 1,60 e a fixação do passe integração de R$ 1,90 para R$ 2,00, uma proposta de aumento de 9%. Os valores são um pouco abaixo do apresentado pela planilha de custos do setor calculada pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb).

A ata com a opinião do conselho - de caráter apenas consultivo - será enviada ao prefeito, a quem cumpre decidir pelo aumento ou não da tarifa. O chefe de Gabinete da prefeitura, Paulo Sérgio Canalli, informou que Angerami analisará os dados para se posicionar.

O valor da tarifa sofreu, nos últimos anos, duas alterações: em 1/12/2003, a viagem no transporte coletivo passou de R$ 1,20 para R$ 1,45. Em 3/6/2004, o valor foi ajustado para R$ 1,50, quando foi instituída a integração no sistema, onde o passageiro passou a poder utilizar dois ou mais itinerários com valor único de R$ 1,90, dentro de intervalo de até uma hora e meia.

Na reunião de ontem à noite entre os conselheiros que representam os segmentos da comunidade, transportes, sindicato dos trabalhadores rodoviários, concessionárias e moradores, o Poder Executivo foi criticado pela falta de discussão da política municipal para o segmento.

A exemplo dos anos anteriores, o Conselho de Usuários foi chamado às pressas para discutir a tarifa. Apesar disso, os documentos mostram que as concessionárias já haviam formalizado requerimento pela recomposição da tarifa em abril deste ano, quando o aumento do óleo diesel atingiu um acumulado de 22%. Esta planilha não foi submetida ao órgão.

Outra crítica à administração refere-se à constituição do próprio conselho. “Cobramos o prefeito várias vezes e a posse só ocorreu em março. Falta discutir a política para o setor. O Executivo sequer discutiu como as concessionárias seriam remuneradas com o novo regime exigido pela lei alterada no final do ano. Precisou o jornal cobrar da mudança na lei para o prefeito enviar projeto às pressas à Câmara. Não é assim que se discute transporte coletivo”, sintetizou o presidente do conselho, Rubens Roberto de Souza, indicado como membro da Diocese do Espírito Santo - comunidade católica.

O diretor de Transportes da Emdurb, Waldomiro Fantini Júnior, mencionou, na reunião de ontem, que a tarifa estava estabilizada desde o final de 2003. Sobre o custo por passageiro presente na planilha deste mês (R$ 1,64 para passe comum e R$ 2,07 para integração), Fantini apontou itens como o dissídio da categoria (6,1% de reajuste) e a elevação de insumos, sobretudo o óleo diesel, que teve aumento de mais 12%, acumulando 34% desde o ano passado.

“Tivemos incremento de passageiros que ajudou a suportar as contas do sistema. Com o novo aumento do diesel, ficou difícil o equilíbrio das contas. A planilha reflete os índices estabelecidos em licitação e essa equação compõe custos fixos e variáveis. As empresas arcaram com a instalação das catracas eletrônicas e isso não está contabilizado na despesa da planilha”, comenta.

Ticket e cobradores

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários (Sindtran), Elias Pinheiro da Silva, reclamou que a reivindicação do ticket alimentação (de meio salário mínimo por funcionário) não está contemplado na planilha. O sindicato está preocupado com a previsão de eliminação de postos de trabalho em função da bilhetagem eletrônica. “Nós vamos continuar reivindicando o ticket. É uma luta nossa que gostaríamos que fosse discutida nessa planilha. De outro lado, estamos muito preocupados com a perda de cobradores porque isso ocorreu em várias cidades e com Bauru não vai ser diferente. Vamos continuar brigando”, cita.

O conselho argumentou que compreende a reivindicação do benefício com alimentação. Mas, a exemplo da direção de Transportes da Emdurb, Rubens de Souza ponderou que a planilha apresenta apenas custos reais. “Não podemos incluir no cálculo um benefício que está sendo negociado. Se entrar em acordo coletivo, entra na planilha”, referenda Waldomiro Fantini.

O presidente da associação das concessionárias (Transurb), José Antonio Jacomelli, disse que os empresários não esperavam discutir mudança na tarifa até o final do ano. “As empresas estavam trabalhando para suportar as despesas atuais até o final do ano. Mas o acúmulo com o aumento do diesel em 32% tornou insuportável manter o valor atual. Queremos registrar também que o pneu tem sido um componente que tem pesado cada vez mais nos últimos anos. Quem tem carro é só acompanhar os preços”, aponta.

Jacomelli voltou a ressaltar que Bauru é a cidade que mais gera despesa com manutenção em função do estado das vias. Além de 40% das ruas serem de terra, o excesso de buracos, segundo ele, provoca despesa 30% maior com manutenção do que em cidades do mesmo porte. “Os problemas com buracos têm melhorado muito, mas o asfalto é tão velho que vai levar tempo para adequar. O pneu aqui não consegue rodar os 100 mil quilômetros previstos em outras cidades e aqui tem o maior índice de atolamento de ônibus por causa de muita rua de terra”, aborda o representante dos empresários do setor.

Na apresentação do custo atual do sistema, a Emdurb listou valores de tarifas cobrados em outros municípios, como R$ 1,50 em Araçatuba, R$ 1,80 em Araraquara, R$ 2,00 em Jundiaí, R$ 1,90 em Londrina (PR), R$ 1,60 em Maringá (PR), R$ 1,90 em Piracicaba e R$ 1,80 em Presidente Prudente. “Em Sorocaba, não tem cobrador há 16 anos e a tarifa é R$ 2,00. Em Piracicaba, não existe cobrador desde 1997”, reforça Jacomelli. Os cobradores representam 25% do custo total do sistema.

O sistema de transporte coletivo em Bauru conta com 234 ônibus, sendo 69 operados pela empresa TUA, 124 pela Grande Bauru e 41 pela Baurutrans.

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