Economia & Negócios

Álcool sobe 17,8% e gasolina tem 2ª alta

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

Não foi apenas o aumento do preço do álcool que surpreendeu os motoristas de Bauru ontem. Presente na composição da gasolina, a alta de 17,8% do produto resultou na elevação imediata (de R$ 0,04) e pela segunda vez em dez dias do valor da gasolina nos postos de combustíveis da cidade. Desta forma, o cenário atual para os consumidores é de R$ 1,39 no litro do álcool (que até anteontem girava em torno de R$ 1,18) e R$ 2,49 na gasolina, em média.

Na avaliação de empresários do setor consultados pela reportagem, o principal motivador da alta do álcool e conseqüente reajuste da gasolina foi o aumento do óleo diesel, no último dia 11. Outra causa recente seria o aumento do consumo de álcool, impulsionado pelo alto índice de vendas de veículos bicombustível, entre outros fatores.

“Nas usinas de cana-de-açúcar, todos os maquinários, colheitadeiras, caminhões e tratores são movidos a diesel. Então, as usinas estão aumentando o preço do álcool e nós (empresários do ramo) não temos como absorver tudo isso. Na semana passada, o preço de custo do álcool para nós girava em torno de R$ 0,96 a R$ 0,98 o litro. Hoje já está em R$ 1,12 até R$ 1,15”, diz o empresário Wagner Siqueira, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro) em Bauru.

No último dia 11, junto com o aumento de 8% da gasolina (de R$ 2,27 para R$ 2,45), o preço do diesel nos postos de Bauru passou de R$ 1,67 para R$ 1,85 em média, o que corresponde a uma alta de 10,8%.

O empresário Robson Costa faz a mesma avaliação sobre os motivos da alta do álcool. Segundo ele, o aumento do preço do produto geralmente é esperado pelos donos de postos a partir de outubro, quando começa a entressafra da cana. Mas com a alta do diesel, as refinarias acabaram antecipando o aumento do álcool.

“De certa forma, a alta do álcool hoje (ontem) não nos pegou totalmente de surpresa, porque nós já vislumbrávamos esse reflexo em função da alta do diesel. As usinas de cana dependem exclusivamente do diesel para operar suas máquinas e caminhões, então, os usineiros estão repassando para nós essa elevação dos gastos. Tradicionalmente, isso não costuma ocorrer nessa época”, observa Costa.

Ontem, a professora Ana Márcia Gobi estava revoltada com o segundo aumento da gasolina em apenas dez dias.

“Eu não entendo o motivo da gasolina subir tanto, a toda hora, se a Petrobras se diz auto-suficiente na produção de petróleo. Eu, infelizmente, não posso abrir mão de usar meu carro. Mas do jeito que está, acho que vou precisar pensar em estratégias alternativas”, reclama.

O empresário Robson Costa avalia que, desde o dia 11, houve uma retração em torno de 20% no nível de consumo da gasolina em seus postos.

“Essa queda é natural, sempre ocorre logo após um aumento de preço (dos combustíveis). Muitas pessoas acabam mudando seus hábitos. Mas com o passar do tempo, essa retração cai para cerca de 5%. É claro que o consumidor sofre, mas esses aumentos constantes também não são interessantes para nós”, observa.

Ontem, a Petrobras descartou qualquer possibilidade de reajuste no preço do gás liqüefeito de petróleo (GLP), o gás de botijão, em função do aumento dos combustíveis. Segundo a empresa, o gás tem uma política de preços específica.

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