Economia & Negócios

Perfil define preenchimento de cargos

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 2 min

A diretora de uma empresa de recursos humanos, Daniela Gibin Duarte, estima que o enxugamento do número de candidatos, de 8 mil currículos para cerca de 2 mil pessoas que serão chamadas para entrevista, é pré-estabelecido no perfil do profissional exigido para o cargo. Entre os itens que afunilam a triagem, ela cita o sexo, que já pode baixar pela metade o número de candidatos.

A especialista em recursos humanos lembra que as empresas também evitam contratar pessoas que buscam uma colocação temporária, pensando em deixar a firma quando surgir uma oportunidade mais interessante. Ela comenta que as empresas focam suas seleções em profissionais que permaneçam e demonstrem vontade de crescer junto com a firma. “Buscar pessoas em caráter provisório, só quando a vaga exigir”, salienta.

Juarez de Oliveira, 46 anos, está há seis meses desempregado e avalia que a idade tem sido o principal fator para não estar no mercado de trabalho. Ele ressalta que não tem sido suficiente sua grande experiência como cozinheiro.

Oliveira conta que já distribuiu inúmeros currículos e vem mantendo contatos com pessoas conhecidas. “A experiência não resolve nada porque a idade pesa bastante. Algumas empresas preferem gente com no máximo 35, 40 anos”, avalia. Ainda assim, ontem ele mantinha as esperanças porque a escolaridade mínima exigida no anúncio para o emprego era o ensino fundamental completo.

Paulo Henrique de Souza Santos, 19 anos, tem menos da metade da idade de Oliveira, porém, também se encontra fora do mercado de trabalho há seis meses. O jovem explica que o fato de já estar terminando o ensino médio pode facilitar. A falta de experiência, conforme Santos, é um complicador. “A concorrência é grande e o que vier está ótimo”, salienta.

Natália Rodrigues, 18 anos, disse que nunca trabalhou e estava disputando o primeiro emprego. Ela ressalta que, apesar de ter 12 cursos, incluindo o de informática, e estar finalizando o ensino médio não consegue uma colocação em Bauru.

A grande movimentação de pessoas na fila atraiu ontem vários ambulantes ao local da entrega de currículos, que aproveitaram para ganhar um dinheiro. O desempregado José Alberto Marques Godói, 39 anos, vendeu água, refrigerante e salgadinhos de pacote. Entretanto, deixou uma pessoa na fila para garantir a entrega do seu currículo.

Ele começou a vender seus produtos às 9h20 com uma caixa de isopor e instalou depois uma churrasqueira ao lado. O ambulante comenta que a atividade é um “bico” de final de semana que costuma render, em média, R$ 120,00 em um dia considerado bom e R$ 80,00 quando o movimento é fraco.

Ele comenta que a idade e a baixa escolaridade atrapalham na hora de competir por um emprego.

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