Polícia

Grávida acusa policial de agressão

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

A dona de casa Adriana Regina Solano, 30 anos, mãe de seis crianças e grávida de sete meses novamente, procurou a Polícia Civil no domingo à noite para relatar abuso de autoridade de um policial militar. Ele teria falado com ela de forma truculenta, empurrado-a em direção à parede da casa e sacado do revólver com a intenção de agredi-la, quando teria sido contido por outro policial e por um vizinho, que chegou ao local e questionou sua atitude.

Uma equipe da Polícia Militar (PM) foi à casa de Adriana, no Parque Real, após prender o marido dela, Paulo Sérgio de Melo, em flagrante com produtos furtados de uma casa na Vila Industrial. Conforme ela relatou em boletim de ocorrência e sua mãe Maria da Silva Solano confirma, os policiais pediram para revistar a casa em busca de produtos de furto, o que Adriana teria autorizado.

Não encontrando nada de suspeito na residência, os três policiais da equipe retornaram para a viatura da Base Móvel de Segurança, para levar Melo para a delegacia, momento em que Adriana viu que seu marido estava sangrando no rosto. Ela contou que questionou se eram os policiais que o tinham agredido, momento que um dos três teria empurrado-a para fora da viatura e seguido-a até o interior da casa, onde teria sacado a arma.

O segurança Gérson Rosa, vizinho da família, confirma a versão de Adriana. “Quando eu cheguei na casa, o policial estava com o revólver na mão pronto para agredi-la. Eu disse que ele não podia fazer aquilo, que era abuso de autoridade, o outro policial o chamou e eles saíram, quase atropelando as crianças que estavam na rua”, afirma.

Maria conta que sua filha ficou com dores no pescoço e nas costas e cobra Justiça. Ela conta que soube que seu genro saiu de casa para vender material reciclável que cata nas ruas para sobreviver, mas disse que a partir de então não sabe o que aconteceu na rua.

Ela relata que soube que Melo teria encontrado a casa do comprador de material reciclável fechada e pulado o muro na tentativa de localizá-lo. Ao perceber que os vizinhos estavam observando, o rapaz teria fugido, pulando muro de outras casas.

Nos registros da Polícia Militar, consta que Melo foi flagrado com câmera digital, aparelho de som e outros objetos roubados de uma casa na Vila Industrial e uma pequena quantidade de dinheiro. Ele foi flagrado pelos policiais, acionados pelos moradores, pulando o muro de uma residência.

De acordo com a PM, Melo já estava ferido quando foi preso. O 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4.º BPMI) informa que os policiais não sabem se Melo se feriu ao pular o muro ou sofreu agressões de moradores, que acionaram a viatura. A lesão no rosto não seria compatível com cassetetes usados por policiais.

A PM confirma que os policiais foram à casa de Melo e que a revistaram, após pedir autorização à sogra do rapaz. Adriana, de acordo com a PM, teria ficado agressiva ao ver o marido preso e avançado contra os policiais, sendo que um deles a empurrou.

O 4.º BPMI vai ouvir os envolvidos no caso, aguardar o laudo do exame de corpo de delito feito por Adriana e, se ficar constatado que ela foi agredida, irá instaurar inquérito policial militar para apurar a conduta do policial. Os nomes dos policiais não foram divulgados.

Paralelamente, a Polícia Civil também vai investigar a denúncia de Adriana. O delegado Ronaldo Divino, do 1.º Distrito Policial, também está aguardando o laudo do exame de corpo de delito e vai ouvir os envolvidos no caso.

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