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Doleiro confirma operação para o PT

Por Chico de Gois e Hudson Corrêa | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - O doleiro Antônio Oliveira Claramunt, o Toninho da Barcelona, reafirmou ontem, durante depoimento às CPIs dos Bingos, dos Correios e do Mensalão, que a corretora Bônus-Banval operava para o PT e para o PP.

De acordo com Barcelona, que foi condenado a 25 anos de prisão por lavagem de dinheiro, era o doleiro Dario Messer quem enviava os dólares, do Panamá, e sua empresa, a Barcelona Tour, trocava em reais e entregava os valores convertidos à corretora que, por sua vez, repassava recursos para nomes do PT e do PP indicados pelo publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza.

Sem apresentar provas, Barcelona disse que “a Bônus-Banval era o caixa, o PC Farias” que agia em favor dos dois partidos. “O Delúbio (Soares, ex-tesoureiro do PT) não pegou aquela fortuna e pôs no bolso”, afirmou. “Dario Messer é o principal doleiro do PT”, acusou Barcelona.

Em seu depoimento informal a membros da CPI dos Correios, no mês passado, em São Paulo, Toninho da Barcelona já vinculara a Bônus-Banval ao PT ao caso, mas prometera dar detalhes sobre operações com a corretora “no momento oportuno”. Falou o mesmo do líder do PP, José Janene (PR). A corretora é uma das principais beneficiárias do dinheiro saído das contas de Marcos Valério.

Segundo Barcelona, entre 3 de setembro e 9 de outubro de 2002 “houve uma procura muito grande por reais em espécie e o mercado não conseguia atender”. Ele disse que trocou para o doleiro Dario Messer US$ 2,050 milhões, o que equivaleria à época a cerca de R$ 7 milhões. “Esse dinheiro teve como destino a Bônus-Banval”, assegurou. Além disso, o doleiro declarou que o ex-ministro José Dirceu era “amigo íntimo” dos sócios da Bônus-Banval. “Isso era voz corrente.”

Na cadeia de conhecimento descrita por Barcelona, o doleiro Alberto Youssef apresentou o deputado José Janene (PP-PR) à Bônus. Janene, segundo o doleiro, levou Marcos Valério à corretora e o publicitário apresentou Delúbio Soares ao esquema da corretora. “A cadeia começou dessa forma.”

Barcelona, que em seu depoimento informal à CPI dos Correios envolvera o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, em supostas operações irregulares de remessa de recursos para o exterior, ontem voltou atrás. O doleiro, porém, não teve a mesma benevolência com o PT e com alguns de seus parlamentares.

Claramunt envolveu o deputado Devanir Ribeiro (PT-SP) num suposto esquema de compra e venda de dólares realizado em 2002, quando Ribeiro era vereador em São Paulo. Além disso, levantou suspeitas sobre o fato de José Mentor (PT-SP), relator da polêmica CPI do Banestado, não ter tomado seu depoimento nem o de Dario Messer. Para o doleiro, Mentor queria proteger o ex-prefeito Paulo Maluf em troca do apoio dele Marta Suplicy, que concorria à reeleição à Prefeitura de São Paulo.

“Ele (Mentor) sabia que eu podia citar o Birigui (Vivaldo Alves) como o operador de Maluf e aí as coisas podiam complicar.” Mentor negou as acusações. Toninho da Barcelona chegou algemado, sob forte esquema de segurança. Durante a sessão já sem algemas, falando pausadamente, demonstrando tranqüilidade e iniciou seu depoimento lembrando que permaneceu 50 dias preso sob Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), em Avaré, acusado de comandar uma rebelião.

O senador Heráclito Fortes (PFL-PI) anunciou, durante o depoimento do doleiro, que uma pessoa foi presa quando distribuía panfletos contra o empresário Daniel Dantas que vai depor nas CPIs dos Correios e Mensalão. “Quero alertar a imprensa sobre isso. Ele entrou aqui como jornalista. É muito grave”, disse. Até o momento, o homem que estava com uma câmera fotográfica não tinha sido identificado.

O depoimento de Toninho da Barcelona começou às 11h45. A partir das 19h, os deputados decidiram ouvi-lo em sessão fechada já que o doleiro prometeu passar mais detalhes nestas condições.

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