Rio - O Índice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M) registrou deflação de 0,54% na segunda medição de setembro. A queda de preços foi ainda mais intensa do que na segunda prévia do mês passado, quando o índice havia apurado deflação de 0,49%. O resultado sinaliza que o indicador está prestes a completar o quinto mês seguido de taxas negativas.
Os preços no atacado passaram de -0,64% na segunda parcial de agosto para -0,73% na segunda prévia de setembro. Produtos acabados e matérias-primas contribuíram para que a queda de preços ganhasse fôlego em setembro. Os bens finais (produtos acabados) registraram uma taxa negativa de 1,37%, ante -0,30% no mês anterior. O resultado refletiu o desempenho dos alimentos in natura, que passaram de -3,53% para -9,94%.
As matérias-primas brutas passaram de -0,75% em agosto para -1,54%, com o recuo maior nos preços de leite in natura (-1,81% para -6,54%), soja (-0,16% para -3,66%) e bovinos (-1,12% para -2,31%). Os bens intermediários (insumos industriais) mostraram aceleração: a taxa passou de -0,81% para 0,13% em setembro, com o avanço de combustíveis e lubrificantes para a produção, que têm seus preços influenciados pela variação do petróleo no mercado internacional, e materiais para manufatura, que passaram de -1,45% para -0,43%.
O resultado do grupo materiais para manufatura, que inclui itens como ferro e aço, evidencia que o papel do câmbio na redução dos preços está se tornando cada vez mais secundário. A valorização do real possibilitou o início do ciclo de deflações nos IGPs em maio, mas a continuidade das deflações reflete o comportamento de alimentos in natura, influenciados por fatores climáticos, e de segmentos com características específicas, como bovinos e soja.
A inflação no varejo passou de -0,28% em agosto para -0,27% em setembro. Habitação e vestuário pressionaram a taxa com o aumento de água e esgoto no Rio de Janeiro e em São Paulo e o aumento nos preços de roupas, com o fim das liquidações.
Os custos na construção ficaram estáveis em setembro. Na segunda prévia do mês anterior eles haviam registrado alta de 0,03%. A desaceleração foi resultado da estabilidade nos itens mão-de-obra e materiais e serviços. Os preços foram coletados entre os dias 21 de agosto e 10 de setembro.
IPC
O município de São Paulo voltou a registrar inflação, depois de três medições consecutivas apontando queda média nos preços. Na segunda quadrissemana de setembro - período de 30 dias até 15/09 - os preços tiveram, em média, aumento de 0,03% na cidade. Na semana passada, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), da USP, apontou deflação de 0,11%.
A volta da inflação na cidade já era esperada pelo coordenador da pesquisa da Fipe, Paulo Picchetti. Um item que tem pesado no IPC é o de Saúde, em razão dos aumentos nos planos médicos. A volta da inflação, entretanto, foi antecipada por conta do aumento no preço da gasolina anunciado pela Petrobras. A companhia promoveu um reajuste de 10% na gasolina e de 12% no diesel nas refinarias. Os percentuais não incluem Imposto de Circulação sobre Mercadorias e Serviços (ICMS).
Nos últimos 30 dias, a maior alta ficou com o grupo Saúde, de 1,55%, enquanto a maior queda foi registrada no grupo Alimentação, de 1,14%. Os demais itens apresentaram as seguintes variações: Habitação (+0,17%); Transportes (+0,80%); Vestuário (+0,89%); Educação (+0,03%); e Despesas Pessoais (-0,45%).
Por conta do reajuste dos combustíveis, o economista da Fipe admitiu na semana passada que a inflação de São Paulo pode chegar a 0,45% neste mês, depois de uma deflação de 0,20% em agosto. Esse cálculo leva em conta um aumento de aproximadamente 5% na gasolina e no diesel na bomba. Entretanto, ele ainda não revisou a sua estimativa inicial, que era de inflação de 0,25% para setembro. Na semana passada, ele afirmou que preferia esperar dados mais concretos sobre o aumento da gasolina nas bombas. A previsão pode ser revisada hoje pelo economista.