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Roubo na PF: dinheiro estava em local menos seguro, diz superintendente

Folhapress
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Rio - O dinheiro furtado da Polícia Federal (PF) do Rio estava em um cofre mais simples e menos seguro, admitiu a superintendência estadual do órgão ontem. Após ter afirmado que os R$ 2 milhões em euros e dólares foram furtados de sua sala-forte (com aparelhos mais sofisticados de proteção), o superintendente em exercício da PF do Rio, Roberto Prel, mudou a versão, ontem à noite. Declarou, por meio da assessoria de comunicação, que o dinheiro estava, na realidade, em um cofre mais simples no interior da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE). Além disso, foram arrombadas seis fechaduras, em vez de duas como Prel havia declarado anteontem.

O novo fato muda a mecânica do furto. A sala-forte fica no saguão do quarto andar do prédio da PF. O cofre, onde estava o dinheiro, está localizado em uma sala com grade de ferro, nos fundos da DRE, no mesmo andar. Todos os membros da DRE estão sendo investigados. Os ladrões não precisaram sair da delegacia para pegar o dinheiro, já que estava em cofre da própria repartição.

Ao lado da sala da DRE, há uma porta que dá para uma sacada, que fica próxima a um terminal rodoviário. Aberta essa porta, os ladrões não precisariam sair do prédio com o dinheiro, bastaria atirar o saco com as notas na rua. São seis as portas arrombadas: a de um delegado, a do cartório, a de um agente, a de um escrivão, a da secretaria e, por fim, a do escrivão-chefe, onde estava a chave do cofre que guardava o dinheiro.

O inquérito que apontava onde estava o dinheiro apreendido na Operação Caravelas foi remexido pelos ladrões, e impressões digitais foram colhidas. Ontem começaram a ser abertos os armários dos 59 policiais federais afastados.

Cheque descontado

O furto de um talão de cheques - apreendido em um clube de rinha de galo durante uma operação da PF que prendeu o publicitário Duda Mendonça - é uma das pistas da PF na apuração do sumiço dos R$ 2 milhões em notas de euro e dólar. As investigações confirmaram pelo menos dois saques no caixa de um banco: um de R$ 15 mil e outro de R$ 3 mil. O talão estava sob custódia da Delegacia de Meio Ambiente e Patrimônio Histórico (Delemaph) e foi apreendido em outubro do ano passado.

A PF investiga a ligação entre os dois casos, que envolvem agentes egressos da DRE da PF. O furto do talão de cheques ocorreu em uma delegacia (Delemaph) para a qual foram transferidos diversos agentes da DRE, após uma reformulação sofrida pela delegacia ainda em 2004. Após essa transferência ocorreu, além do furto do talão de cheques, um arrombamento em um armário do canil da PF do Rio. Objetos pessoais de um policial federal foram furtados. Uma sindicância foi aberta para apurar o furto dos cheques.

“Não podemos descartar nada, inclusive a participação de pessoas de fora da instituição, prestadores de serviço e terceirizados, embora os indícios de que foi um caso interno sejam fortes”, afirmou, ontem, o delegado Roberto Prel, superintendente em exercício da PF no Rio.

Alfredo Dutra, delegado titular da DRE, afastado após a constatação do furto do dinheiro apreendido durante a Operação Caravelas, disse acreditar na participação de policiais federais no crime. “Não creio que seja alguém da minha equipe, mas com certeza foi da PF. Também não acredito que o furto tenha sido feito para desestabilizar politicamente a instituição no Rio, mas sim que foi uma maçã podre que cometeu esse tipo de coisa”, afirmou Dutra.

O corregedor da PF no Rio, delegado Victor Hugo Poubel, afirmou que já tomou o depoimento de 20 dos 59 policiais federais afastados. Para Poubel, nenhum forneceu pistas que possam levar à autoria do crime. O delegado afirmou ainda que cinco delegados - três da DRE e dois da delegacia de plantão - disseram, em seus depoimentos, que não foram observadas alterações na rotina do prédio da sede do órgão no fim de semana. A corregedoria, no entanto, está apurando denúncias de que teria havido um churrasco no domingo - dia apontado como a data em que ocorreu o furto do dinheiro - dentro da sede da PF.

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