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A sabedoria de se agir pelo bem


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Há sabedorias que atravessam o tempo e, ainda que possam manter-se ocultas ou pouco difundidas, em algum momento elas emergem de seu período de silêncio ou timidez. Muitas vezes, o seu surgimento ocorre pela necessidade que um determinado período demanda. Neste início de novo século, o mundo demonstra precisar de algumas revoluções, como a de formar cidadãos mais reflexivos e conscientes de seus direitos e deveres e, sobretudo, uma transformação no campo ético, haja vista ele encontrar-se em estado grave. Antigos escritos presentes no Alcorão, o livro sagrado da religião islâmica, descrevem: “Aquele que fizer um bem, quer seja do peso de um átomo, vê-lo-á; e aquele que fizer um mal, quer seja do peso de um átomo, vê-lo-á.” (99ª Surata, versículos 7 e 8). Assim, entende-se que existe uma resposta para as os nossos atos, sejam eles grandes ou minúsculos. Ou seja, nada passa despercebido, na confirmação do filósofo Montaigne, do século dezesseis, ao expressar que o mal recai naquele que o pratica.

Na bíblia sagrada encontra-se, em Mateus 5:25-26: “Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás com ele a caminho, para que o adversário não te entregue ao juiz, ao oficial de justiça, e sejas recolhido à prisão. Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto não pagares o último centavo”. E, em Marcos 12:33: “E que amar a Deus de todo o coração e de todo o entendimento e de toda a força, e amar ao próximo como a si mesmo excede a todos os holocaustos e sacrifícios.” Também aqui, abre-se a perspectiva de que há efeito mediante algo causado anteriormente e, ainda, mais do que consertar um erro cometido antes que se abata uma determinada resposta por ele, exalta-se a prevenção, através do exercício do amor ao Criador e ao próximo. Está em nós esta possibilidade. A decisão é individual, todavia ela pode influenciar quem conosco compartilhar de tal feito. Importantes conhecimentos encontrados em livros sagrados podem oferecer um novo momento de se refletir a respeito de como nos relacionamos socialmente e em que implica a forma pela qual agimos de uma maneira ou de outra neste convívio. Para cada coisa que fazemos existe uma correspondente para nós mesmos. Portanto, o que esperar, baseados no que fazemos para o outro?

O autor, Armando Correa de Siqueira Neto, é psicólogo, consultor, conferencista e escritor. E-mail: selfcursos@uol.com.br

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